segunda-feira, 3 de março de 2014

O NOVO BLOG : http://olindacristinamolar.blogspot.pt/

É com muita alegria que venho aqui partilhar o endereço do novo blog, onde acabei mesmo agora de publicar o primeiro texto :)

http://olindacristinamolar.blogspot.pt/

Aos poucos, durante 4 dias, fui editando o blog, sabendo que hoje teria de escrever o texto e publicá-lo.

A minha gratidão por todos que acompanharam este blog que terminou, não tem tamanho...Ajudaram-me a ser quem sou. Com todos ri e chorei. Aprendi e cresci.

Foi também com muita alegria que reparei que este blog terminou com mais de 50.000 visulizações, tendo em conta que escrevi como se ninguem fosse ler...:)

Agora convido todos e cada um, para me continuarem a acompanhar no novo blog, que assinala o inicio de uma nova etapa, um novo ciclo.

E na vossa companhia, é tudo muito melhor :)

Abraço-vos com muito carinho e emoção!

Até já.

Olinda Cristina


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

NOVO COMEÇO, NOVO ANO

Tenho a mesa posta para o jantar de fim de ano, com a minha mãe, o meu filho e a namorada.

Sentei-me em frente da lareira para escrever.

O meu último texto neste blog. Para começar um novo blog. Não contenho as lágrimas, não sabia que me ia custar tanto, apesar do entusiasmo com a concepção de um novo, que assim que estiver pronto será divulgado aqui. Por isso, na verdade, este não será o último texto porque ainda haverá outro, a comunicar o endereço do novo blog, assim que ele estiver pronto.

Este ano já fiz tantas mudanças, já terminei tanta coisa que não estava nada à espera que também tivesse que dar por terminado este espaço onde escrevo, que tem sido tão importante na minha vida.

Em Julho deixei de trabalhar em Lisboa e mudei-me para o Porto.

E no dia 20 deste mês deixei de trabalhar no Projecto.

Foram muitas as despedidas. Em Julho despedi-me dos meus companheiros da casa de Algés, a Lena e o Rui. E despedi-me dos meus companheiros de trabalho e dos pacientes de Lisboa.

Agora tive de me despedir de todos os pacientes. Ainda estou sob o efeito dessa despedida. A receber email e mensagens em resposta ao email que enviei através do Projecto, no passado dia 19, a despedir-me e a explicar porque o fazia.

Foi em Setembro comecei a sentir que grande mudanças se aproximavam e que iam ocorrer antes do fim do ano. Deduzi que iriam ser em Dezembro e descontraí. No dia 7 de Novembro, numa meditação que para mim seria semelhante a tantas outras ficou claro que era o dia de tomar a grande decisão. Encerrar um ciclo para poder começar outro. E assim fiz. Confiei porque sempre confio, por mais difícil que me seja arriscar tudo.

Mas se eu descobri o que é ser feliz, o que é ter paz, foi porque eu já arrisquei. Tudo.

Foram muitas as vezes em que arrisquei e arrisquei tudo. Eu, a pessoa mais dependente e apegada de todas. Mesmo quando o medo me tolhia. Mas acreditava cegamente que só me iria libertar desse medo quando o enfrentasse.

Até porque, para mim, medo é falta de fé. Se eu tenho fé, se eu acredito, se eu confio no que sinto, tenho medo de quê? Eu sei. Tenho medo porque tenho memórias. Muitas memórias inconscientes que me fazem confundir actualidade com passado. E as minhas memórias são vivas o que intensifica o desafio.

Por isso Jesus me lembrou, há semanas atrás, que o meu medo da crítica, da censura, vinha das minhas memórias de ser julgada e executada quando ousei assumir as minhas escolhas. E por causa dessa memória viva que me faz sentir a morte eminente só por ser criticada, ao longo desta torci-me toda só para não ser criticada e para não sentir o medo da morte. Fiz de tudo para ser aceite, para corresponder e não tive nunca a coragem de ser quem eu era. Foi quando comecei a enfrentar esse medo que comecei a ser eu.

"No teu caso, cada vez que fores criticada é um sinal de que estás no bom caminho. Porque antes não arriscarias a crítica e encolher-te-ias. Agora avanças, mesmo que isso vá contra tudo e contra todos. "

Sabe Ele com que custo, muitas vezes. E com que ganhos também. A liberdade, sobretudo. Que de todos os bens se tem mostrado um dos mais preciosos. FREEDOM. O segundo texto deste blog e o que o impulsionou.

Há dois dias também eu estava a fazer outra mediação, julgava eu, mais uma vez, que seria idêntica a tantas outras, quando percebi que ia escrever um texto no último dia do ano e que seria o último deste blog. Acho que foi das vezes em me percebi nítidamente a fazer resistência. Mas será mesmo preciso terminar, não se poderá fazer mudanças?

Não. Vais começar um novo, com uma energia nova.

E nesse momento, senti a presença de Sua Mãe, em mais uma das raras vezes em que me apareceu.E entregou-me uma flor, que me pareceu uma tulipa branca, dentro de uma espécie de tudo de ensaio.

Estranha e curiosamente, na manhã do dia seguinte, ao passar em frente à televisão vi que estava começar um programa sobre Istambul, Turquia, e parei o que estava a fazer para me sentar a ver. Particularmente interessada por me terem contado há pouco tempo, que a suposta última casa de Maria é lá, na Turquia, já visitada por alguns Papas, e por centenas de visitantes por dia. A certa altura, no programa, alguém estava a explicar que os azulejos da mesquita mais importante, tinham o desenho de uma tulipa...ligeiramente inclinada, porque simboliza a rendição às forças esuperiores...E que essa mesquita, apesar de muçulmana, tem numa das suas cúpulas a imagem de Maria, que entretanto foi disfarçada ou apagada, já não me lembro bem....porque fiquei de tal forma emocionada....que só pensava no que tinha acontecido na véspera...

E só agora que escrevo sobre a mesquita e a cúpula é que me lembro, e até contei a uma amiga logo a seguir à meditação, que a entrega da flor aconteceu num ambiente onde a sacralidade da energia, completamnete branca, me fez sentir que estava numa espécie de templo ou catedral circular.

E por falar em catedral, agora vejo como tudo está ligado...Na véspera de Natal, ainda de madrugada, acordei com o imenso barulho de uma tempestade e tive a sensação de que a casa ia pelos ares. Não foi a casa mas foi parte do telhado. E às sete horas da manhã andava eu no sotão, a gatinhar por debaixo das vigas, ensopada em água, a tentar colocar plásticos para a chuva deixar de entrar e a tentar escoar toda a água que já tinha entrada e caía pelo candeeiro do quarto da minha mãe. Eu que tinha medo de ir ao sotão, andava por ali a rastejar, já sem medo nenhum.

Entretanto chegaram a Lila e o Mário, que são dois anjos na nossa vida, e me ajudaram a limpar tudo e a forrar com plásticos, para dois dias depois voltarmos a escoar água e mais água e colocar placas no lugar das telhas para remediar.

Em todo o processo, surpreendeu-me a reacção da minha mãe que só dizia que estava muito grata porque eram só telhas e havia muita gente que nas tempestades perdia a casa.

E eu estava tão concentrada em tentar perceber o significado do que estava a acontecer, que só descontraí quando me dei conta que não tinha que perceber nada. Apenas aceitar o desconforto e que se estava a acontecer é porque eu e todos cá em precisavamos que acontecesse. Mais do que nunca senti-me sintonizada com todos os que estavam sem tecto e com frio. E isso tornou o meu Natal diferente. `

Nessa noite tudo era já paz e harmonia. Mas a cada momento me lembrava de todas os que estavam em situação menos confortável e me sentia solidária. Já na tarde de Natal, senti-me verdadeiramente abençoada, num momento em que o meu irmão, o melhor irmão do mundo, se sentou no sofá entre mim e a minha mãe, e ficou abraçado a mim, com o filho dele ao colo, a ver Música no Coração. Desde pequenina que não via, embora a televisão esteja sempre a repetir, nunca tive vontade, até agora. E foi mágico voltarmos a ver juntos, abraçados, quando foi juntos que tinhamos visto pela primeira e última vez há tantos e tantos anos atrás.

Mas agora desviei-me do assunto. Porque comecei a contar isto a propósito de catedral. Dois dias depois do Natal, já a Lila estava com gripe e eu afónica, por causa de nos termos encharcado a consertar o telhado, lá estava eu a fazer meditação, quando me foi explicado o porquê do que aconteceu ao telhado. Que era o único espaço da casa que faltava ser limpo física e energéticamente, por causa de eu ter medo de lá ir. E que assim tive mesmo que ir e limpar, de todas as maneiras, e além de todas as outras experiência e lições inerentes, agora eu tinha a "minha catedral" pronta. E disseram-me que esta casa, de tão tratada, tem a energia de uma catedral.

E chorei, chorei, chorei de comoção, até me cansar e adormecer...

E é daqui, deste lugar, onde me sinto em paz, que envio o meu abraço mais sentido e a minha gratidão a todos os que me visitaram aqui, me acompanharam e me deram alento. Sou e serei eternamente grata. Nada é permanente. E nesta mutabilidade que nos impulsiona a crescer e amadurecer, poderemos iniciar juntos o novo ano e as novos ciclos, sempre partilhando as novas experiências.

OBRIGADA E BOM ANO NOVO!!!!!!

Ahh, e há poucos instantes, antes de começar a escrever este texto, por acaso (sei que não há acasos mas gosto da expressão) encontrei este vídeo que tem a energia dos votos que faço para todos nós. Um vida em festa, que vibre pela alegria, entusiasmo e comunhão entre todos nós. Felizes por estarmos juntos! E gratos por tudo o que temos!

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

PAZ E MAGIA

Hoje vivi um dia mágico em Rebordosa. Um passeios inesperado. Encontros inesperados. E viver o que tenho vivido e sentido em Rebordosa, além de mágico é surpreendente.

Desde que regressei que me tenho sentido de volta a casa. Como se tivesse regressado ao lugar onde me sinto melhor.

O que para mim foi absolutamente inesperado. Eu pensava que a vida me iria afastar cada vez mais deste lugar, que para mim representava a energia mais hostil. Por isso quando a Vida e o Céu me mostraram que estava na hora de regressar e descansar foi uma grande surpresa. Bem sei que aqui estavam as pessoas que mais amava, mas sempre tive a esperança de que o meu filho se juntasse a mim longe daqui.

O bem estar que senti desde o dia em que me instalei, impressionou-me.

A paz, conforto e alegria no lugar que me foi mais hostil, foi a grande surpresa.

Vivi num dos sítios mais bonitos, em Oeiras, e num dos sítios com a vista mais bonita, em Algés, e em nenhum dos lugares senti o que sinto agora, apesar de lá ter vivido momentos muito felizes. E cada vez fica mais claro que o nosso bem estar depende muito mais de como nós estamos por dentro, do que do que nos rodeia.

Através das meditações fui percepcionando o que está a acontecer. Que os últimos anos de trabalho interior me trouxeram a este ponto: o meu bem estar não depende do lugar onde estou. E porque eu me transformei, este lugar também se transformou. Na minha casa. Até ver. Porque o mundo continua a girar e a vida a dar voltas.

Percebi que estou pronta para me redescobrir. A mim e à simplicidade da vida. Que está em muitas coisas de que nem sabia que gostava. Nunca me imaginei a fazer compotas e marmelada e a decorar os frascos, e a inventar pratos de cozinha, por exemplo. E agora adoro.


E eu que pensava que já sabia tanta coisa sobre mim...Continuar o processo aqui está a ser uma benção. Poder viver o dia a dia com o meu filho sem pensar que daí a um dia, ou dois, ou meia dúzia, me irei ter que despedir dele outra vez está a ser a melhor coisa do mundo.

Tenho percebido também que pude voltar porque me consolidei. Os ultimos anos foram de preparação exigente. Dos maiores e dificeis desafios. Colocar em prática toda a teoria. "Acreditas? És capaz de fazer?" O resultado foi  mais consistência e consolidação.

Voltei a poder mimar e ser mimada todos os dias, pela minha família.

(Pizza que o meu filho fez ontem- "É um coração para ti, mamã.")


A poder descansar. A ter tempo. A desfrutar do casamento com a minha alma. A cortina da janela do meu quarto lembra-me constantemente desse momento. E porque estamos juntas, estou bem. E o melhor é que estou com quem mais amo. E com quem mais me ama.

E isso é a magia da vida.









Vídeo:



Parque das Cortinhas, Rebordosa, 04 de Dezembro de 2013.


sábado, 23 de novembro de 2013

RE-THINK YOUR LIFE / RE-PENSA A TUA VIDA


Em tempo de influências astrológicas altamente transformadoras e sendo este um dia especialmente importante e intenso, um vídeo sugestivo:





Tem a coragem de seguir o teu coração e intuição,
de alguma forma eles já sabem aquilo em que te queres tornar.
Tudo o resto é secundário.




(Em breve voltarei a publicar este vídeo com a respectiva tradução)

domingo, 17 de novembro de 2013

UMA ESTRELA COMO PRENDA

"Hoje ofereço-te uma estrela.

Já te ofereci umas asas como prenda pelo teu compromisso com a tua alma. E hoje ofereço-te uma estrela como prenda pelo teu compromisso comigo.

Por teres respondido cada vez que te chamei. Mesmo quando ainda não sabias que era Eu. Só sabias que tinhas de ir, e ias, que tinhas de fazer, e fazias.

Em nome desse compromisso largaste tudo quando o que mais querias era manteres-te agarrada a tudo, foste terapeuta sem nunca teres querido ser terapeuta, escreveste, sem nunca teres querido escrever, viajaste sem nunca teres querido viajar, foste para Lisboa sem nunca teres querido ir para Lisboa, e voltaste para o Porto, sem nunca teres querido voltar.

Em nome desse compromisso enfrentaste todos os desafios. Mesmo aqueles que para ti implicavam a morte.

Em nome desse compromisso rendeste-te à tua alma. E se já a traíste por medo da morte, hoje não a trais nem que para isso tenhas de morrer.

Agora já és capaz de escolher por ti. Fazer por ti. Ir por ti. E por isso esta estrela. Que vai iluminar o teu caminho. A partir de hoje brilharás com a luz desta estrela. Emanarás a luz desta estrela.

Este é o meu agradecimento pelo teu amor por mim e por ti.
"

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

"A MORTE: UM AMANHECER"

No último texto esqueci-me de contar um pormenor, que para mim foi bastante relevante.

Quando entrei no quarto da minha Mãe, naqueles momentos em que estavam a ultimar a remodelação, reparei que já não estavam lá os livros. A minha mãe gosta muito de ler e tinha muitos livros no quarto. E tinha ficado apenas um. Que estava na nova mesinha de cabeceira. "A Morte: um Amanhecer", de Elizabeth Kubler-Ross. Um livro que me foi oferecido há muitos anos pela minha amiga Manuela Ribeiro, que o tinha comprado no Brasil. Não sei se entretanto foi editado em Portugal, mas creio que não.

Por acaso (?) é dos livros mais importantes que li. De forma muito resumida, o livro é o resultado da pesquisa da autora, psiquiatra, sobre a vida após a morte. A sua conclusão é de que a morte é um processo idêntico ao do nascimento. Morre-se numa existência para se nascer numa outra.

E a mudança é isso. É uma morte e um renascimento.

Quando o meu filho estava internado, a mensagem com o título "Morte" do "Livro da Luz", da Alexandra, saiu-me três vezes. Por nenhuma das vezes, fiquei assustada. Sempre considerei que a mensagem era uma confirmação do grande processo de mudança que a doença estava a provocar. A mudança é uma morte, e a morte é uma mudança.


"Morte

Não tenhas medo da morte, meu filho, que tudo se resolve.

A morte é outra vida. A transformação plutónica entre o céu e a terra.

A transformação e a aprendizagem, o esforço e a convicção fazem parte da alma humana.

Cada dia que passa morres para o dia de ontem.

E nasces para o dia de amanhã.


Jesus
"

in
"O Livro da Luz" de Alexandra Solnado

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Um novo quarto. Um novo Mundo.

Estava intrigada com o tema que me faria voltar a escrever. Porque, que eu saiba, e que me lembre, nunca estive tanto tempo sem escrever. E como não era por falta de tema, porque nestes dois últimos meses aconteceu tanta, tanta, coisa, cheguei ao ponto de me questionar sobre o que é que teria de acontecer para me fazer escrever. E aconteceram até coisas mais importantes, só que a de hoje talvez seja muito significativa.

Quando hoje cheguei a casa a minha Mãe tinha mudado o seu quarto. Um quarto que permanecia igual há 45 anos. Nem mais nem menos. Há tantos anos quantos tem esta casa. Eu já tinha feito inúmeras tentativas de convencer a minha Mãe a mudá-lo, mas nunca aceitou com o argumento de que continuava a gostar da decoração, que era intemporal, que as peças eram de muita qualidade e que continuavam bonitas, etc, etc. Ao longo do tempo já se tinham feito inúmeras obras e mudanças cá em casa, com excepção do quarto. Aliás já se tinham mudado todas as divisões, por mais do que uma vez. Os meus quartos e do meu filho já foram noutras divisões, as salas já foram escritórios e nem sei mais o quê, mas o dito quarto não mudava uma peça sequer. Nem as minhas tentativas de pelo menos mudar os móveis de lugar tinham resultado.

Desisti, por fim, e há muito tempo que nem sequer falava no assunto.

Só que, quando em Agosto voltei "para casa", fiz uma grande remodelação no meu quarto, ao ponto de a minha mãe comentar: "É a primeira vez que olho para o teu quarto e sinto que não estás de passagem." O meu entusiasmo com as remodelações e mudanças estendeu-se a todas as divisões. Senti que estava revolucionar a casa. Neste processo descobri que tinha muitas coisas guardadas minhas, de que nem sequer me lembrava e que eram coisas lindas, e que de alguma forma substituíam aquelas que se tinham perdido no regresso de Lisboa. Porque em Julho, a transportadora que ia trazer as minhas coisas de Lisboa para o Porto, perdeu-as. Apesar de ter sido uma perda, na altura não mexeu rigorosamente nada comigo. Não mexeu na altura e continuava a não mexer. Acho que porque nos últimos anos me fui desapegando das coisas e as constantes viagens ajudaram-me a cingir ao essencial. Ao ponto de concluir que não precisava da maior parte das coisas que tinha. E quando fiquei sem elas nem o coração se mexeu.

E hoje, não sei porquê, lembrei-me disso e pela primeira vez emocionei-me a pensar nas minhas coisas desaparecidas. Que eram coisas que tinham tanto de mim, da minha intimidade...que tocariam quem estivesse agora com elas...e quem estaria a mexer nas minhas coisas?...a usá-las?...a olhar para os meus quadros?...e esperei que fosse alguém que estivesse a precisar dessas coisas. Lembrei-me de uma história que a Alexandra uma vez contou, sobre um anel que tinha perdido no aeroporto, e Jesus lhe disse o tinha perdido porque havia alguém que precisava de receber um anel nesse dia.

E quando vinha a conduzir para casa, vinha a pensar precisamente sobre isso, com nostalgia, e considerando que se tinha ido uma parte de mim, Jesus, que já me tinha falado várias vezes no assunto das minhas coisas perdidas, disse-me que essas coisas desapareceram precisamente porque levaram uma parte de mim que eu precisava de deixar ir. Que fazia parte da minha mudança. E que ao largar essa parte de mim estava a criar espaço para nascer uma nova parte de mim. E que eu intuítivamente sabia disso. Tanto sabia, que tinha comentado com a Lena, enquanto embalava as coisas para as levar à transportadora, que sentia que não precisava de nada daquilo e que até era um favor de tudo desaparecesse. Quando desapareceu realmente, fiquei muito surpreendida. Como era possível ter mesmo acontecido? Quase que me forcei a sentir culpa pelo que tinha dito e a sentir pena de ter perdido, mas não. Não senti nada. E acabei satisfeita, por não estar apegada a nada daquilo, que era praticamente tudo o que eu tinha.

Cheguei a casa ainda nestas considerações, e percebi que vinha barulho de obras do quarto da minha Mãe. Até brinquei ao "Querido, mudei a casa", tapei os olhos e esperei que contassem até três. Estavam a Lila e o marido, ajudados pela minha Mãe, a pendurar as novas cortinas e a dar os últimos retoques, depois de terem mudado de móveis. Vi logo que a Lila foi o motor da mudança, mas a minha Mãe estava muito contente e satisfeita com o resultado.

E, pronto. Se a minha Mãe mudou agora o quarto, ao fim de 45 anos de apego e resistência, quer dizer que estamos no ponto em que tudo pode ser mudado. Tudo. Últimamente os planetas têm-se "posicionado" para nos ajudar a fazer as grandes mudanças. Os eclipses de Outubro e Novembro terminaram um ciclo de 19 anos de eclipses, dando-nos a oportunidade de encerrar ciclos e começar novos. É o tempo das grandes transformações.

E este quarto, embora seja só um quarto, simboliza muita coisa. E mostra que uma grande mudança já estava em andamento mas ainda não se tinha concretizado e que hoje foi o dia de se materializar.

E como esta, muitas outras. Um novo mundo está a começar. Uma nova vida. Um novo ciclo.

O que me espanta é que os meus novos começos estejam relacionados com o regresso a onde tudo começou...o regresso a casa.


PS: E entretanto estou a escrever pela primeira vez no meu novo computador... Outro "pequeno" sinal :)

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

AGOSTO

Pela primeira vez comecei por escrever o título.

Há muito que estava definido, porque este mês de Agosto foi um marco na minha vida.

E vou começar pelo último dia: ontem aqui em casa, eu a Manuela Ribeiro, sentadas no jardim a beber chá frio, conversavamos sobre nós e o nosso caminho. Amigas há 14 anos fizemos um percurso espiritual paralelo, mas nunca o de uma interferiu com o da outra. Aprendemos por sítios diferentes, com práticas e pessoas diferentes. Nunca uma de nós comentou, muito menos criticou as escolhas que a outra ia fazendo. A verdade é que o percurso, que às vezes parecia que nos afastava, afinal nos aproximou. De repente lembrei-me: Manela, hoje não é o último dia de Agosto? É. Que giro ser contigo que passo este dia e estarmos a ter esta conversa.

É porque foi com a Manuela que comecei a aprender e a percorrer os caminhos da espiritualidade. Foi ela que me falou nos grandes mestres e me ofereceu os primeiros livros que li, como Profecia Celestina, as Sete Leis Espirituais do Sucesso, de Deepak Chopra e o Poder do Agora de Eckart Tolle. E as conversas sobre os nossos caminhos vieram a propósito de Santiago de Compostela.

Porque fui visitar a Catedral há poucos dias. Estava de férias em Espanha com o meu filho e de dia para dia o apelo para lá ir foi ficando mais forte. Comecei a arranjar justificativas mentais para não ir. Porque já tinha combinado lá ir em breve com a Manuela. Porque não ia encontrar lá uma energia mais forte do que aquela com que me conecto. Porque a catedral apesar de ser um local de conexão é também um lugar de encaminhamento e a energia devia estar muito pesada. E para ajudar a limpar a energia do local não precisoava de lá ir, e assim, sucessivamente. Mas não interessava nada do que eu pensava. Só interessava o que eu sentia e o que eu sentia era para lá ir. Ainda assim, quando lá chegamos dei-me conta que afinal estava com expectativas de voltar a sentir o que senti quando lá fui há 14 anos atrás. E que agora mesmo que a energia de Jesus estivesse presente a minha reacção não ia ser a mesma por causa da ligação que entretanto se estabeleceu...já não ia sentir o mesmo choque...E fiquei admirada comigo e com a minha cabeça. Mas que era isto? Porque é que estava tão mental e tão argumentativa?...Fiquei imenso tempo à frente da catedral sem entrar. Só podia entrar quando estivesse a zeros. Sem qualquer actividade mental. Estava ali para sentir, não para pensar. O meu filho estranhou estarmos ali em frente tanto tempo sem entrar. Achou que estavamos a apreciar o movimento de chegada das centenas de peregrinos.

Finalmente senti-me pronta e entramos. Não senti a energia pesada, mas vazia. Uma energia de turismo. Percorri o interior da catedral à procura da sala/capela interior que me marcou e que eu tinha memorizado como tendo um nome: Sagrado Coração de Jesus. Nenhuma tinha esse nome e nenhuma tinha os holofotes que gerassem a intensa luz de que eu me lembrava. A que mais se parecia chamava-se "Adoracion ao Santíssimo". Repeti a busca e voltei a esta. Fiquei um pouco à porta. Entramos eu e o meu filho. Sentamo-nos.


"Já vão muitos anos desde a primeira vez que aqui nos encontramos. Bem-vinda peregrina."

A comoção foi brutal. A Sua energia estava mais forte do que nunca. As lágrimas começaram a cair sem parar e fui ficando sem forças no corpo. Ajoelhei-me para que os braços pousados no banco da frente pudessem amparar o corpo.

Mostrou-me que foi ali que há 14 anos tocou o meu coração e o abriu. E a luz que eu vi foi a d'Ele. Não era da sala. Por isso é que eu não encontrava a sala com os holofotes que eu andava à procura...Na altura eu não percebi isso, porque na verdade, na altura eu não percebi nada. Não compreendia a minha comoção e o meu choro compulsivo, não sabia de onde vinha tal luz. E que eu memorizei como Sagrado Coração de Jesus porque o meu coração foi tocado pelo d'Ele e que aliás era essa imagem que estava por cima do altar, o Seu coração.

E que era importante eu estar ali, com o meu filho (que também chorava), e em Agosto. No fim do mês de Agosto. Que era um mês importante para mim. O mês do meu aniversário. Que este mês estava a ser um marco no meu caminho. E por isso tinha sido baptizada no meu dia de anos.

Sim, é verdade, fui baptizada este ano, no meu dia de anos. Estava no Mindelo, na piscina com uma prima e os nossos filhos. "Ouvi": "Vai à praia." E fui, sem saber o que ia lá fazer. Quando cheguei estava um rapaz a tocar batuque. O sol estava a pôr-se e pensei que era para ficar ali a sentir aquele ambiente meio mágico. Mas não, era mesmo para entrar na água e mergulhar. E assim que a minha cabeça mergulhou na água senti Jesus segurar-me e dizer "Eu te baptizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo."

Nunca, que me lembrasse, O tinha ouvido pronunciar uma frase bíblica. E fiquei muito surpreendida. Muito mesmo. Olhei em volta e vi imensos seres de Luz por toda a praia.

"São os mesmos que te acompanharam na viagem de Lisboa para o Porto. São os mesmos que te ajudaram a trabalhar o teu canal."

No primeiro dia de férias eu tinha estado a fazer mudanças no meu quarto. E no fim desse dia, ao colocar os phones para meditar, Jesus disse-me para não abrir os olhos, sob hipótese nenhuma, porque não era eu que ia subir, mas sim Ele que ia descer. E a sua presença tornou-se tão intensa que parecia quase física. Com Ele chegaram seres de luz. Não fosse a advertência d'Ele e eu não teria conseguido manter os olhos fechados porque sentia como se as paredes e tudo dentro do quarto estivesse a abanar. Em determinada altura tornou-se um pouco difícil manter-me tranquila e acreditar que não estava a acontecer nenhum sismo. Tudo serenou quando me senti ser puxada através de um enorme cilindro de luz.

"Este é o teu canal. À custa de sentires o choque energético com esta terra (Rebordosa), foste trabalhando a energia e ampliando o canal, e este foi o resultado, "arquitecta da luz"."

Já não era a primeira vez que me apelidava assim, o que para mim foi especialmente gratificante, tendo em conta a admiração que sempre tive por arquitectura.

Esse canal que me foi mostrado começava no meu quarto. Quando terminei a meditação e me levantei é que reparei no formato da cortina do quarto. Tinha-a afastado da janela por causa do calor e os folhos que assim fazia lembraram-me a foto da aurora boreal que publiquei a propósito do "casamento" com a minha alma.



 "Porque agora o teu quarto tem a minha energia e a da tua alma."

À medida que o mês foi avançando cheguei até a pensar que a energia do quarto tinha sido tratada dessa forma porque era aqui que eu passar as minhas férias.

O Zé Miguel teve que fazer exames, um com anestesia geral, 

e consultas no IPO, e apesar dos resultados não terem sido nada dramáticos, revivemos alguns momentos difíceis.
Revisitamos o piso de internamento e encontramos alguns dos enfermeiros que o trataram e que tanto estimamos, como a enfermeira Elizabete, de quem tanto gostava, e o enfermeiro Nelson, que está sempre a fazer rir.

 
Numa meditação perguntei a Jesus se estes momentos mais dificeis eram sinal de que eu estava a andar para trás.

"Não, não estás a andar para trás. Até porque o teu caminho não tem volta."

É que mesmo sabendo que o que nos acontece não traduz o a fase do caminho em que estamos, se estamos a andar bem ou mal, muito ou pouco, tento sempre pôr-me em causa e considerei que a forma como estava a correr este mês que à partida devia ser de férias, me estivesse afinal a demonstrar que a minha enrgia estava menos harmonizada e trabalhada do que eu percepcionava.

"Lembra-te do deserto que te mostrei." 

Foi em Julho, creio eu, que numa terapia que a Lena me fez, Jesus me mostrou uma imagem que simbolizava a minha energia. E essa imagem era de um deserto. Imediatamente me senti a desabar de tristeza... Jesus está a mostrar-me que a minha energia é como um deserto...mas um deserto é árido...consegui ainda dizer à Lena. E nesse momento apareceram vários oásis no deserto.  

"A tua energia é a que transforma deserto em oásis. Essa é a tua energia."

E o choro de tristeza transformou-se num choro de imensa alegria e gratidão. E foi outra lição de que nem tudo o que parece é. 

Assim como o Agosto, que parecia que ia ser só dificil, se transformou num mês de momentos felizes. E que  foi afinal um mês marcado pelo amor que me aconteceu.

Até que chegou o momentos, depois de alguns dias divertidos com primas e primos, de sol e mar no Mindelo, de ir a sós com o meu filho passar uns dias de férias. Pensamos num sítio e depois o Céu mostrou outro, que por sinal era um de que o meu filho já tinha falado. Norte de Espanha, a que me sinto muito ligada e onde durante muitos anos passamos férias. Depois de um dia inteiro a tentar marcar hotel ia desistir porque  ou eram muito caros ou não tinham quartos disponíveis. Pedi então ajuda ao Céu, já era para ir para lá se me ajudava a encontrar onde ficar. Em segundos mostraram-me o hotel. Nem o tinha visto antes. Engraçado, tinha luz no nome. Liguei e havia quarto, que reservei de imediato. Para voltar a ligar e pedir quarto com vista para o mar. Esse luxo nem me tinha passado pela cabeça. Estava tão contente em arranjar quarto que a vista era de somenos. Mas surpreendentemente disseram logo que sim. Que aliás o quarto disponível era com vista para o mar. Mais uma prova de que o que é para nós está guardado. Aliás quando lá chegamos o Céu mostrou que há muito estavam a preparar a nossa chegada lá. Quando entramos no quarto estacamos, como semelhante vista.  Uma vista imensa, imensa, de mar, de ria e pequena praia que nos deliciou nos dias que lá ficamos, rodeada de verde, como eu tanto gosto. Sempre com muito calor e com um mar fresquinho, onde eu e o meu filho estavamos constantemente a megulhar para refrescar. Os nossos mergulhos, as nossas caminhadas, as nossas cumplicidades, os nossos jantares, foram de momentos de verdadeira ligação.



Como o meu filho disse, estavamos a viver dias de paraíso. 




Ou seria um oásis?




E assim foi Agosto, com fechos de ciclos e inicios de outros. Por isso o baptizado. Por isso Santiago. Tudo para um novo começo.

domingo, 28 de julho de 2013

PIETÁ NO MEU REGRESSO

Ontem, era quase meia noite quando cheguei de Lisboa a Rebordosa e quando entrei no quarto encontrei esta imagem em cima da comoda.


A Pietá de Miguel Angelo tem um significado muito maior para mim desde que li a experiência da Alexandra na basílica de São Pedro, em Roma, contada no livro Voo Sensitivo. E como se pode ver nesta fotografia, o livro está mesmo atrás da imagem. Acredito que a minha Mãe quando a colocou aqui para mim, não fazia a mais pequena ideia da relação com o livro, porque tenho quase a certeza de que ela nunca o leu.

E mais curioso é ainda como esta imagem me veio parar às mãos. Pertencia à casa dos meus avós,e foi há poucos dias que a minha mãe dividiu com os irmãos o seu recheio. Eu acompanhei-a. Era uma situação adiada há muitos anos e não parecia que se fosse realizar tão cedo.

Como a casa estava fechada e se situa perto da casa da minha mãe eu limpava a sua energia como muita regularidade. O facto de vir para Rebordosa com muita frequência fazia com que antes de vir, eu limpasse sempre a energia desta terra, com maior insistência nas casas que fazem parte da minha família.

Desde o sismo com epicentro aqui que Jesus me disse que a energia deste lugar estava a ser profundamente transformada e que eu ia notar muito o reflexo disso. O que aconteceu em casa dos meus avós foi um desses reflexos. Uma energia que estava estagnada, bloqueada, de repente desbloqueou. Fomos todos lá a casa em ambiente de perfeita harmonia. Antes de ir Jesus tinha-me dito que estava comigo e que eu ia sentir a Sua presença. Não comentei como ninguém a emoção que senti quando entrei num dos quartos e vi este quadro pendurado na parede.


Entrei nesta casa todas as semanas, no mínimo, durante pelo menos trinta e oito anos. E nunca tinha reparado neste quadro. Teria sido capaz de jurar que este quadro nunca tinha lá estado. Ter sido praticamente a primeira coisa que vi quando lá cheguei foi bastante impressionante.

De seguida reparei na Pietá. Também nunca a tinha visto lá em casa. Disse que era a única coisa com que gostava de ficar. Podia ser que calhasse à minha mãe, em sorte. Eu já não estava presente quando a minha mãe soube que a podia trazer. Comentaram com ela que a peça não tinha valor material. "Sim, mas para a Cristina esse valor não conta." Saber que disse isso de mim encheu-me os olhos de lágrimas de emoção.

Foram sinais das mudanças em Rebordosa. Das mudanças na família. Tudo a harmonizar e tudo a aproximar-me.

"Esta é a verdadeira liberdade. E já não precisares de estar longe. É poderes voltar ao que te doía e já não doer. É seres livre para voltar."

Um regresso que hoje se mostrou não tão pacífico assim. Os desafios continuam. Porque para estar perto de umas pessoas tenho que estar longe de outras. As distâncias sempre presentes.

Quando estava a ouvir o novo tema do Moby, Jesus disse-me:

"Lembra-te do que aconteceu com o Moby. Aconteceu para que tomasses consciência de que tudo pode acontecer. Mesmo o que te parece inalcancável. Estar com ele no Porto, a sós, e ser abraçada por ele aconteceu sem que tu tivesses pensado nessa possibilidade nem sequer por um segundo. A Vida surpreendeu-te como já te surpreendeu tantas outras vezes. Confia em Nós."

É o que mais me tem dito. Confia.

"Tu és aquela que fez a prova mais dura do mundo. Tu és aquela que foi ao Espaço."

Virtualmente, sim. O que contou foi que aceitei desafios sem saber em que consistiam. A haver mérito, é esse. O verdadeiro salto no desconhecido. No escuro.

Ontem senti medo que outro desafio desse calibre me estivesse a ser proposto. Ainda, o medo. Ainda tão presente e tão forte. Vi muita movimentação de seres de luz à minha volta. Parecia a mesma movimentação de quando me estavam a vestir o fato espacial. Entretanto a presença de energia de Jesus destacou-se e tornou-se tão intensa que parecia que se ia materializar. Nunca tinha sentido a esse ponto. Ainda estava em Algés. Depois percebi que me vinham apoiar e acompanhar na despedida. Quando eu estava agradecer por tudo o que lá vivi, por ter sido Ele a levar-me, a proporcionar-me tudo o que lá vivi, Ele disse que estava ali para me agradecer. Por ter aceitado viver a experiência. Porque também Ele viveu tudo comigo. Acho que ouvir/sentir isto foi das emoções maiores da minha vida.

No comboio a meio da viagem vi que a carruagem em que eu seguia, quase vazia, se encheu de seres de luz que ocuparam todos os lugares. O meu registo de medo foi mais forte. Temi que estivessem ali para proteger de algo que ia acontecer. Nestes momentos é que percebo como somos viciados nos registos densos de medo. É aquela tendência para desconfiar que algo de mau vai acontecer porque não podemos estar muito tempo bem. É um vício. E estou a tentar libertar-me dessa crença, que pensava que estava mais resolvida do que está. Que é uma coisa que me acontece frequentemente. Constatar que não estou tão resolvida quanto penso. Embora às vezes o inverso também aconteça.

Hoje, quando estava ouvir a música do Moby voltou a acontecer.



Imensos seres de luz. Voltei a ficar tensa. Tão tensa que não me permiti subir como eles. Demorei imenso tempo a descontrair, ficar a zeros e deixar-me ir. Levaram-me à dimensão com a energia desta música. Uma energia aquosa. Onde os seres não têm forma, onde não podemos abraçar porque não há forma. Nem contornos. É como se tentassemos abraçar água. Que nos foge. Só o facto de não podermos abraçar faz-nos sentir que não podemos reter. Não podemos reter porque não podemos possuir. Nada é nosso. Mas a comunicação nem por isso é menos intensa. Pelo contrário. Quanto mais subtil é a energia, mais intensa é a comunicação.

"Vais comunicar desta forma lá em baixo. Quem não está próximo de ti físicamente, é como se não tivesse forma. É como se tivesse esta energia daqui. E vais comunicar com eles como comunicaste aqui."

O que não deixa de ser um desafio difícil. Principalmente quando as pessoas são importantes para nós.



sábado, 27 de julho de 2013

UM TEMPO QUE CHEGA AO FIM

Tudo tem um tempo.
E hoje chegou o fim do tempo de viver em Algés. Dentro de duas horas volto para o Porto, e lá ficarei a viver.
Tudo foi acontecendo.Gradualmente fui sendo preparada para mais esta mudança. Que é a única, tudo o resto se mantém igual, apenas mudo o local onde moro, porque passarei a trabalhar só no Porto.
Nos dois últimos meses tornou-se nítido que que a vida me estava a propôr que regressasse. Contra tudo o que eu previa. Tantas foram os desafios para voar, que acreditei que os voos iam ser cada vez mais longos, cada vez para mais longe de casa.
Não esperava era sentir esta paz e esta tranquilidade por voltar para Rebordosa e para o Porto. Estou aqui sentada ainda frente a esta paisagem maravilhosa de rio e mar e não sinto tristeza alguma pela mudança. Só achei difícil o dia em que embalei tudo para despachar para o Porto. Até isso aconteceu sem eu planear. Tinha previsto fazer as mudanças durante o mês de Agosto, mas afinal esta semana tudo se proporcionou para me levarem as coisas para o Porto e em dois dias tinha as mudanças feitas.
Mais uma vez fiz quase tudo sozinha. Quase porque houve um dia em que a ajuda da Lena foi mais do que preciosa. Carregamos sacos e caixas do quarto andar para o carro. Quais guerreiras como a Lena disse.
A separação da Lena está a ser a pior parte. Está a ser difícil para as duas, embora como ontem conversamos no nosso jantar formal de despedida, tenhamos ambas a sensação que a nossa ligação nos mantém muito unidas para além de qualquer tempo e distância.
Esta partilha de casa durante quase um ano e meio foi das experiências mais ricas e importantes que tive na vida.
Mas como Jesus me disse, chegou ao fim. Porque chegou a hora de viver em familia. Tranquila, sem partidas e sem despedidas. Porque muita coisa mudou em mim. Mudou tanto que a minha terra mudou também. Para mim.

Nos dois últimos meses tenho-me sentido pegada ao colo. E vou parar o texto por aqui porque acabou de chegar Alguem que me vai levar hoje da casa para onde me trouxe.

E porque tudo acontece desta forma, estou feliz. Muito feliz.


segunda-feira, 10 de junho de 2013

O CAMINHO DE SANTIAGO ou THE WAY


E foi ao fim do quarto dia. Não do sétimo, mas do quarto.

Estou doente, ou melhor, estava, porque já estou muito melhor, mas como dizia, estava doente desde quinta-feira, ou seja, hoje Domingo, é o quarto dia desde que adoeci.

Há muito que sabia que ia adoecer, não sabia era quando nem com o quê. Há muito que ouvia a recomendação do Céu para abrandar, caso contrário ficaria doente. E andava atenta aos meus sintomas para tentar perceber quando teria mesmo que parar. Há praticamente oito dias, no Sábado, dia 01 de Junho, caí. Dei um grande tombo e feri-me nas pernas e muito no pé direito. Achei estranho que da forma que caí não tivesse magoado os braços e a cara. Nem assim percebi o sinal. Não podia andar, era para parar. Mas ignorei. Estava à espera de me sentir a adoecer, não de um tombo. E continuei a andar, a coxear, com o pé todo ligado, com dores, mas sempre a andar. A fazer exactamente o que eu aconselho a que não se faça: a esforçar e a contrariar os sinais. Porque por mais absurdo que seja, é-me mais fácil lidar com as consequências do que respeitar os sinais quando envolvem responsabilidade para com os outros.

Só que a vida não brinca. E como Jesus me disse hoje, se há pessoa que sabe que a vida não brinca, sou eu. Quer dizer a vida até brinca connosco, e muito, mas não quando tem que nos ensinar.

Ainda assim me espantei quando na quinta-feira acordei com vómitos. Não me lembrava de ter comido nada que pudesse ter causado isso. Tudo tão repentino. E até ao fim da manhã surgiram todos os sintomas da doença. De origem viral, precisava de dieta e repouso. Só aí me "caiu a ficha". Repouso. E deixei-me ficar de cama até hoje. Porque percebi que afinal estava era esgotada. Dormi de dia e de noite. No início de cada noite pensava: é hoje que não vou dormir por ter dormido o dia todo. Mas não. Dormia até de manhã. E voltava a dormir de dia.

Apesar de perceber que precisava de descansar não sabia bem o que me estava a acontecer. Deixei-me ficar.

Janela do meu quarto (Rebordosa)
E foi só hoje, ao fim do dia, que Jesus me veio buscar. Enrolou-me numas asas, as minhas, e levou-me ao colo.

"As tuas asas hoje são só para te cobrirem, não vais fazer nada com elas porque vamos ser Nós que vamos cuidar de ti."

E chegamos a um lugar que tinha uma aspecto, literalmente, de céu. Com chão em nuvens. Aquelas imagens clássicas que vemos do que será o céu onde estão os santos e anjos. E alguém, que eu não sei quem, começou a tratar dos meus pés. Como se me aplicasse um bálsamo.

Já tenho vivido emoções muitíssimo intensas, muitas sensações de êxtase, de unidade, mas a emoção de hoje foi nova.

Parecia que o amor e carinho eram maiores, se possível.

E então Jesus explicou-me muita coisa. Lembro-me de chegar a um ponto em que deixei tentar de reter a informação, e concluí, mais uma vez, que guardar o que fosse mais importante. Ou não. Mas pelo menos o que fosse importante manter a nível consciente.

Lembro-me de que um dos momentos mais intensos foi quando me levou de volta à Catedral de Santiago. Mais precisamente a uma pequena capela interior no interior da Catedral, que, salvo erro, se chama Sagrado Coração de Jesus. Foi lá que tive a primeira catarse, de que me lembre. Deve ter sido há cerca de 13 anos, o meu filho era ainda pequeno. Dessa vez, quando lá entrei senti uma comoção tão forte que caí de joelhos e em pranto. Um pranto inexplicável e interminavel. Na altura não sabia o que me estava a acontecer e só percebi quando li o livro "Voo Sensitivo", da Alexandra. Hoje Jesus fez-me sentir de volta a esse lugar, na companhia d'Ele e confirmou que o que me aconteceu naquele dia foi ter sentido a presença d'Ele.

Hoje levou-me lá para me explicar porque é que últimamente tenho sentido tanta vontade de lá voltar e até de lá ir como peregrina a pé. Já confidenciei isso com algumas amigas, e a Manuela R. até me desafiou para irmos lá um Sábado, que ainda não se proporcionou, porque as nossas permanências no Porto não têm coincidido, e a minha mãe também já me propõs o mesmo. As minhas grandes surpresas foram quando o meu irmão foi lá de bicicleta nesta Páscoa, e quando três grandes amigas minhas iniciaram a caminhada por etapas de forma a lá chegarem no próximo Julho.

Curioso é ter recebido a indicação para procurar a música do filme "The Way", que é sobre esta peregrinação e que representa muito para mim pelo seu conteúdo e pela pessoa ao lado de quem o vi. E estava a ouvir esta faixa quando fui levada à catedral.



E foi lá que Jesus me explicou que o que me estava a acontecer era que estava a sentir-me como se tivesse chegado ao fim de uma peregrinação. Como se tivesse chegado lá depois de uma grande caminhada, a pé. E que este esgotamento e esta exaustão era o que eu sentiria se fosse lá a pé. E que o ferimento no pé além do sinal para parar, era também simbólico, pelos ferimentos dos peregrinos. E que o caminho, como sabemos, é interior. E por isso nunca antes me tinha passado pela cabeça fazê-lo, porque sabia que o estava a fazer onde ele precisa de ser feito, dentro. E que toda a vontade de fazer essa peregrinação, agora, era simbólica. Era mais a vontade de caminhar sózinha na natureza e de me manter em estado de conexão.

"Conectada já tu estás, a maior parte do tempo. Este caminho já o fizeste. E foram muitos anos a fazê-lo. Até em trânsito tens estado, sempre. Agora podes descansar, e por isso estamos a cuidar de ti, como quem cuida de um peregrino."

E assim soube que afinal, o que eu esperava fazer, está feito. Outras caminhadas virão, porque a própria vida é, em si, um caminho.

terça-feira, 28 de maio de 2013

NOIVA

"Esqueces-te que agora és uma mulher casada."

Acho que esta foi a frase mais engraçada que Jesus me disse até hoje. Eu estava a pedir-lhe ajuda e orientação para o meu dia, e Ele deu-me esta resposta por causa do que tinha acontecido dias antes.

Há já bastante tempo, talvez cerca de meio ano, que às vezes nas meditações, eu me via vestida de noiva. Desde o primeiro momento que foi nítido para mim que não se tratava de uma imagem nem de futuro, nem de passado. O que me deixava intrigada. Bastante intrigada. Até que num dia de manhã, logo no início da meditaçao, me senti levada por Jesus para um lugar com uma energia branca. Senti-me a entrar numa espécie de catedral, mas feita de luz branca, e a avançar pelo centro em direcção ao que seria um altar, vestida de noiva, com algo na mão, que até hoje não sei se seria um ramo de noiva, ou algo correspondente. De cada um dos lados havia muitos seres de luz. Como se estivessem a assistir. Cheguei ao cimo e percebi que não havia noivo. A cerimónia era de casamento, mas não me estava a casar com ninguém. Estava a casar-me com a minha alma. Imediatamente me lembrei da promessa que lhe tinha feito, de lhe ser fiel, amá-la e respeitá-la até ao fim da minha vida  (e que deu origem ao texto "PROMETO SER-TE FIEL, AMAR-TE  E RESPEITAR-TE ATÉ AO FIM DA MINHA VIDA" de Agosto de 2011).

Pelo que percebi, tinha chegado o momento de oficializar essa promessa e de me sentir una com a minha alma. Como se a partir daquele momento ela estivesse sempre comigo e eu com ela.

Jesus disse-me que eu me tinha preparado para essa união. A união que verdadeiramente me faz feliz. Mais do que qualquer outra. Muito mais do que com qualquer pessoa. Por isso tanto tempo sózinha. Por isso um percurso tão solitário. Para descobrir a minha alma e me comprometer com ela. E nos tornarmos unas.

"E esta é a tua prenda de casamento." A expressão deu-me vontade de rir. Mas fiquei séria quando vi umas enormes asas brancas. "Já ouviste falar em voo nupcial? Estas asas são para o teu voo, porque estás pronta a voar sozinha."

Não soube o que pensar, nem como reagir. Fiquei paralizada.

"Esse medo não é teu. Sabes isso muito bem.  Ou não estarias pronta para assumir este compromisso. A escolha que mais medo te podia provocar, já a fizeste. A escolha mais difícil que se pode fazer em vida, fizeste-a há poucos anos atrás, sem o mínimo de hesitação ou vacilação. Com a maior coragem do mundo. E quando digo a maior coragem do mundo, é isso mesmo que quero dizer. Na verdade, quando nasceste, foi para cumprires esse propósito. Está cumprido. Agora desfruta do que conquistaste. Mantém o rigor, mas desfruta. E vais ver como esta relação com a tua alma te completa cada vez mais."

E o fim de semana passado foi um exemplo disso. Foi quando pedi a Jesus que me orientasse sobre escolhas a fazer, sítios a ir, que Ele me respondeu: "Esqueces-te que agora és uma mulher casada."

Estava-me a dizer para me entender com a minha alma. Para me deixar guiar por ela. E contráriamente a toda a lógica ela levou-me para Carcavelos. Eu que associo sempre Carcavelos a muita gente quando está calor, achei que era a última praia onde me ia sentir bem. E quando ia a caminho e passava por praias que estavam quase vazias como Caxias e Santo Amaro de Oeiras, a tentação de ficar por essas era grande, mas fui fiel, e lá fui para Carcavelos.

A propósito dessa fidelidade, Jesus lembrou-me uma frase que eu tinha dito uma vez, sobre ser estupidamente fiel. Porque sempre fui fiel nas relações, fossem de que tipo fossem, amorosas, de amizade, ou profissionais. E Jesus disse-me que isso para mim não era difícil. Difícil era ser fiel a mim própria.

"Que mérito tem seres fiel aos outros se para isso tens que te trair?

A tua fidelidade encobre um medo. O medo de seres fiel a ti e com isso perderes os outros.

Mas tudo o que perderes, nunca se comparará ao que ganhas. Ninguém, ninguém, se compara à tua alma."

Retomando, fui fiel à minha alma, deixei-me levar por ela, e fui para Carcavelos, onde me senti tão feliz, que naquele momento não imaginava outra praia onde me pudesse sentir tão feliz. Estavam a preparar o evento "Moche Cascais Surf à noite" e estive entretidíssima a fotografar e filmar tudo. E depois estive horas, como eu mais gosto, deitada perto de água quase sem ninguém por muito perto. Parecia-me quase um milagre.

"O milagre és tu. Que te transformaste ao ponto de viveres estes momentos de felicidade sózinha. Estás a desfrutar como se fosses uma turista."

E curiosamente nessa manhã no comboio, umas senhoras inglesas tinhas falado comigo como se eu fosse turista também. E pensei que realmente não precisava de sair do país para me sentir uma turista.

"Ser turista é uma atitude e podes sentir-te como se estivesses fora do país, sem ter que viajar."

E nesse mesmo dia, ao regressar a casa, assim que saí na estação de Algés vi uma grande movimentação de pessoas e ouvi música no recinto do Optimus Alive. Não sabia que já estavam a fazer concertos e resolvi ir ver o que era. Vi cartazes que anunciavam o Brazilian Day e deixei-me ir nas filas para entrar, à espera de perceber quanto se pagaria de entrada, até que dei por mim à frente de uns vinte ou trinta polícias que estavam a revistar toda a gente antes de entrar. Uma mulher polícia perguntou-me o que levava eu dentro da mochila. Expliquei que com certeza levava tudo o que não se podia levar para um local daqueles, porque estava a chegar da praia e só vinha espreitar. Entretanto já ela tinha aberto a mochila e ia pegando nas coisas a dizer que não podia levar...nem as garrafas de água, nem a tupperware...o que levava eu dentro da tupperware?...ananás, respondi. Não pode levar. Sente ali e coma, para puder entrar. Nem pensar, disse eu. Não me ia sentar ali a comer, até porque nem me apetecia. Mais depressa me ia embora. Então ela fechou a mochila e disse-me para entrar e aproveitar porque era grátis. E lá fui.

Assim que entrei senti-me contagiada porque aquele ambiente de festa e aquela música brasileira tocada e cantada e dançada pelos artistas em cima e fora do palco. Diverti-me a observar a forma como todos se divertiam. Pensei em como tenho tanto a aprender com eles. Aquela leveza e facilidade na diversão. Em Roma sê romano, e no Brasil sê brasileiro. Cantei, dancei, comi salgadinho e bebi uma geladinha. Estava no meio de milhares de brasileiros e senti-me no Brasil. E ouvi -O: "Eu não te disse que te ias sentir como se estivesses noutro país, sem ter de viajar?"

Naquele momento eu estava a dançar e as lágrimas começaram a cair-me. Não parei de dançar mas também não parei de chorar. Não me tinha dado conta de que realmente o que estava acontecer era precisamente o que Jesus me tinha dito. Tinha-me parecido tudo tão por acaso...sabendo eu tão bem que o acaso não existe. Ou melhor, que o acaso é Ele. E vim embora completamente estoirada, depois de um dia de banhos de sol e de mar.e de uma festa brasileira. A minha máxima ambição era um duche e um bom sono.

Pensei até que no dia seguinte não ia conseguir sair de casa, mas mais uma vez a minha alma me surpreendeu levando-me de novo para Carcavelos. Pensei que por ser Domingo e o dia seguinte à festa do surf durante a noite, a praia estivesse pesada e com muita gente. Mas surpresa das surpresa, não estava. Parecia impossível que logo de manhã já estivesse tudo arrumado como se nada se tivesse passado lá. E pouca gente, muito menos que de véspera.

Mais um dia de sol e mar. Mais um dia com Ele e comigo. Que o mesmo é dizer, com a minha alma.

E esta fotografia é a imagem de aurora boreal que me tinha surgido na véspera da meditação do casamento. Mais estranho é que me surgiu logo depois de uma indicação de Jesus para me vestir  com as cores da aurora, e para me manter nessa energia, que era a do início de um novo dia. Achei curioso que em vez de me surgirem as imagens com as cores esverdeadas e azuladas proprias da aurora boreal, me surgisse esta, e até a publiquei na minha página do Fb, por me parecer véus de noiva.

Há pouco fui procurar esta imagem no Google e não apareceu. Só as coloridas. Tive que a ir recuperar à minha página.

E no dia da meditação, por mero acaso, eu estava vestida de branco, que não costumo vestir. O tal acaso que não existe.



quarta-feira, 15 de maio de 2013

"ESTÁS A FAZER O QUE TE APAIXONA NESTE EXACTO MOMENTO?"

Outro vídeo extraordinário!!! (com legendas em espanhol).

"...
Estás a fazer o que te apaixona neste exacto momento?
Não?
Então começa!
O teu relógio está a andar e a tua vida tem pressa.
Descobre o teu propósito na vida e põe-no em prática agora mesmo!"





sábado, 4 de maio de 2013

OBRIGADA PELAS 40.000 VISUALIZAÇÕES



Vim aqui ao blog copiar esta frase do texto "O DIA EM QUE FUI APRESENTADA A MIM PRÓPRIA", para colocar nesta fotografia que tirei há dias a uma montra de uma exposição de móveis aqui em Rebordosa, e reparei que tenho 40.000 visualizações. Fiquei feliz e principalmente muito agradecida a todos os que lêm este blog. Só escrevo quando consigo escrever como se ninguém fosse ler e por isso sempre que  constato que é lido fico feliz.  MUITO OBRIGADA! 

Um abraço com o meu amor.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

AS BOAS NOTÍCIAS SÃO OFICIAIS!

Sim, as boas notícias são oficiais. Hoje o Zé Miguel teve a consulta que confirmou "oficialmente" o resultado dos exames, e o que tem é apenas uma infecção causada por um vírus. Respiramos de alívio. Para já só vai ter que tomar antibiótico.

Ir ao IPO é sempre um acontecimento. Que começa logo no parque de estacionamento e nos questionamos como é possível estar tanta gente cancerosa, quando vemos os milhares de carros estacionados.

No corredor a psicóloga de pediatria veio ao nosso encontro para falar como Zé Miguel,  e ao cumprimentá-la perguntei-lhe como estava a filha. O segundo que ela demorou a responder fez-me logo perceber que ela estava à procura das palavras para me dizer que a filha tinha morrido. As lágrimas começaram a cair-me e pedi desculpa. Não consegui parar de chorar. O Zé afastou-se um bocadinho enquanto a doutora me consolava e me dizia que estava tudo bem. Que tinha tido outro filho, e que embora não compensasse, nem substituísse, estava tudo bem. Mas eu não conseguia parar de chorar. Só conseguia pedir desculpa. Até queria parar de pedir desculpa mas não conseguia. Tinha sentido que era uma violência tão grande levar alguem a ter que responder que a filha tinha morrido, que não conseguia parar.

A doutora estava no final da gravidez quando o Zé iniciou o tratamento no IPO e passado pouco tempo entrou em licença de parto. Um dos grandes choques que tive nesse ano, foi quando um dia soube que ia dar entrada no quarto ao lado do Zé uma bebé de três meses e que era a filha da Dra. Susana.

Entretanto, já depois do tratamento do Zé ter terminado, chegamos a encontrar-nos na sala de espera do hospital de dia, quando o Zé ia às consultas de rotina e ela também ia com a bebé.

Sempre foi um dos meus grandes medos ali. Perguntar a uma mãe ou a um pai pelo filho e ouvir esta resposta. Sempre tive dúvidas se devia ou não perguntar. Mas não é uma situação de que se possa fugir. Já me aconteceu encontrar lá pais de meninos que eu já sabia que tinham partido, mas ir ao encontro deles para os abraçar quando já sabemos, é diferente.

Tivemos tempo de ir visitar o piso 12, o de internamento pediátrico, onde o Zé gosta de ir visitar as enfermeiras que o trataram e as professoras que estão lá no acompanhamento dos meninos. Mostram-se sempre espantadas com o bom aspecto dele. E quando falam de outros meninos que estiveram lá ao mesmo tempo que o Zé, sinto sempre um conforto por perceber que estão vivos.

O confronto com a morte não podia ser mais real. Por mais coisas que saibamos sobre a vida e a morte. Por mais que acreditemos que a morte não é o fim e que a vida continua, sabemos sempre que esta separação ainda envolve dor. E muita.

Não só a morte. O próprio tratamento é mais do que doloroso. Reparei numa jovem muito alta, que vinha a arrastar o suporte do soro, ajudada pela mãe. Reflectia um grande sofrimento físico. Digo uma jovem, mas comentando depois com o meu filho ele disse que tinha reparado e achava que era um rapaz.  Sem cabelo, neste caso não se percebia muito bem.

Mas foi a única pessoa que vi nos dois corredores daquele piso. Tanto eu como o meu filhos estranhamos. Na última vez que tínhamos lá estado não tinham vagas para todos os meninos que estavam em espera para entrar. Responderam que agora não, pelo contrário estão sub lotados. Perguntei a que é que se devia, que seria muito bom se fosse por haver menor incidência da doença, mas parece que é por cada vez recorrerem mais a tratamentos privados, sobretudo as pessoas que têm seguros.Penso que também será por recorrerem a tratamentos alternativos.

Enquanto lá estivemos o Zé não fez qualquer comentário sobre o acontecimento com a Dra. Susana e quando estavamso a almoçar comentou: "Hoje aprendi uma lição. Nunca perguntar sobre o filho de ninguem."  Ficou mais chocado porque  nas últimas semanas tem falado com a Dra. Susana e não suspeitava do que se passava com ela.

O mesmo tipo de choque já tinhamos tido quando soubemos que a sua médica, a Dra. Ana, estava de baixa porque tinha um cancro. Vê-la com o cabelo curtinho foi chocante.

E percebemos que somos todos iguais. E que ninguém está imune às voltas da vida, que está sempre a tentar falar connosco.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

VIVER COM O CORAÇÃO NAS MÃOS

Só agora é que me lembrei de ir ao Google pesquisar. Digitei "Nossa Senhora Jordânia" e seleccionei imagens. Apareceu-me esta foto e fiquei estupefacta:



Foi com esta imagem que eu sonhei na madrugada da passada sexta-feira.  Acordei com a Mimi, a cadelinha da Lena que saltou para a minha cama e a Lena entrou no quarto atrás dela, a tentar que ela não me acordasse. Com os olhos ainda entreabertos disse à Lena que tinha sonhado com Nossa Senhora. 

-"A Nossa Senhora apareceu-te no sonho, queres tu dizer."

Sim,, mas foi um bocado estranho. Porque era uma Nossa Senhora numa espécie de gruta, daquelas que parecem no meio de grandes rochas cor de barro. Parecia ser na Jordânia. A Nossa Senhora tinha uma tez mais escura do que o normal e um coração cor de laranja em luz, como se fosse o sagrado coração de Jesus.

-"O sagrado coração de Maria.", respondeu a Lena. 

A imagem tinha-me aparecido duas vezes durante o sonho. Porque é que associei à Jordânia, não sei, porque nunca estive na Jordânia nem nunca tinha visto esta imagem antes. E nesse mesmo dia em conversa com a Alexandra, disse-lhe que se calhar até era uma imagem de Israel, que teria mais lógica, e não sabia por que associava à Jordânia. Por isso foi com muita surpresa que agora constatei que esta imagem de facto existe, e precisamente na Jordânia. E está a associada a um milagre. Segundo a freira que cuida desta imagem, um dia em que abriu a porta de vidro fechada à chave para limpar a imagem, escorriam dos olhos da Virgem lágrimas de sangue, que por análise foram confirmadas como sendo de sangue humano.

Já mais acordada, durante o pequeno almoço falei nisso várias vezes. O sonho tinha-me deixado muito impressionada porque a imagem era muito vívida. Nem eu sabia ainda o porquê de ter acontecido. 

Nesse mesmo dia, sexta feira, o meu filho teve uma consulta no IPO que o informou da suspeita de um tumor. Só saberemos resultado dos exames no início de Maio. Fiquei arrasada. Senti uma tristeza que foi tomando conta de mim de forma galopante. A Lena abraçou-me e incitou-me a chorar tudo o que ainda pudesse estar guardado. Todo o medo e toda a tristeza. E eu não sabia que era tanta. Não sabia que tinha tanta coisa dentro de mim. Chorei as profundezas e as entranhas. E começamos a sentir a presença de Nossa Senhora. A Lena pedia-me para passar toda a minha dor para ela, porque Nossa Senhora  é que a estava a receber. A presença de Nossa Senhora estava a absorver toda a minha dor, que eu passava para a Lena, e por sua vez a Lena passava para Ela. Foi o abraço mais milagroso que eu senti na minha vida.

Nossa Senhora disse à Lena que me tinha aparecido no sonho e estava ali presente, porque a minha prova, tal como a da Lena, estava relacionada com o calvário d'Ela, Nossa Senhora, e do Seu filho, Jesus. Tal como Ela, nós vivíamos a maior dor de uma Mãe: a de assistir ao sofrimento do seu filho, e o maior medo: o de o perder.

Também é verdade que a dor, quando aceite, se transforma. E é nela que acontecem os maiores "milagres". Como este abraço da Lena. Senti o seu amor incondicional. E senti que não conhecia mais ninguém capaz de abraçar assim. Não conhecia mais ninguém que tivesse perdido um filho e que ao mesmo tempo acreditasse em tudo o que eu acredito. Que acreditasse no mesmo Jesus que eu. No mesmo Deus que eu. Que tivesse quase o mesmo percurso que eu. Que tivesse a mesma actividade que eu. E essa pessoa é uma das minhas maiores amigas, vive comigo,  e estava ali comigo, naquele momento. A dar-me o abraço com mais amor do Mundo. 

Acredito que precisemos de passar por tudo o que passamos para nos tornarmos capazes de amar dessa maneira. 

Nada é em vão e não há nada pelo os nosso filhos passem que não precisem de passar. Para também eles se transformarem. 

Depois do telefonema resolvi vir imediatamente para o Porto. E no comboio, já a meio da viagem interroguei-me porque é que não tinha ainda sentido a presença, a energia de Jesus, num momento tão difícil como este. Seria por me sentir tão agitada?

"Estou aqui sentado ao teu lado." 

Realmente o lugar ao meu lado era o único vago, o comboio ia cheio. Senti que tinha a mão d'Ele sobre a minha. 

"Quando chegares lá vais pousar as tuas asas sobre o corpo dele. E eu estarei convosco."

A reacção de surpresa e alegria do Zé Miguel quando me viu fez-me agradecer em silêncio a sugestão da Lena que me aconselhou a não lhe dizer que ia e fazer-lhe uma surpresa.

Nesse mesmo dia, voltei a cair num choro profundo. Que era ao mesmo tempo de dor pelo que estava a acontecer, e de dor por precisar de passar por essa dor, para evoluir.  Pode evoluir-se sem dor e sem sofrimento. Pode. Mas isso ainda não estará ao meu alcance. E depois questionava-me: mas porque é que estou a achar que é mau passar por esta dor, se eu acredito que nada é bom, nem nada é mau? Ainda no último texto disse isso. E é algo em que eu acredito mesmo. Então esta dor não é má. É simplesmente dor. Se me rendo a ela transformo-a. E deixo de sentir que não consigo respirar. Às vezes até sinto o contrário, que é só isso que consigo fazer: respirar. E que não consigo fazer mais nada, nem pensar, nem andar, nem coisa nenhuma.  E  dor tanto se transformo quando nos rendemos a ela, que no meio do choro Jesus puxou-me para um nível de energia branca e cristalina. Um nível onde sentia uma paz absoluta. A paz da aceitação. E mais uma vez comprovei a teoria de que, independentemente do que nos estiver a acontecer, podemos estar em paz. E Jesus perguntou-me o que é que eu queria pedir. Pedi para me encontrar com a alma do meu filho. 

E disse-lhe que me rendia à escolha dele, fosse ela qual fosse. Que aceitava tudo o que a alma dele escolhesse. Que em todo este processo tinha aprendido a amá-lo, creio que incondicionalmente, e tinha conhecido a incrível beleza da alma dele. E que lá em baixo na Terra estaria também incondicionalmente ao lado dele, a apoiá-lo sempre e em tudo, e a canalizar para ele toda a energia de cura que estivesse ao meu alcance. Que se ele pudesse escolher a cura ficaria muito feliz, principalmente por ele, mas que o meu amor seria incondicional. Por último perguntei a Jesus se Lhe podia fazer outro pedido. E voltei a pedir o que Lhe peço todos os dias quando limpo o meu filho à distância: que tome conta do meu filho, que cuide dele e o proteja, porque Lho entrego. Que confio nisso, mesmo quando tudo corre de forma contrária à que eu gostaria. E que quando assim é, sei que há um motivo superior para que assim seja. 

E Jesus perguntou-me: "Sabes porque é que vocês chegaram a este nível de entendimento e de amor? Porque limparam grande parte do vosso karma."

E tiramos esta fotografia. 


Quando a publiquei, a minha prima Cristina, do Brasil, comentou que estavamos lindos e a curtir a vida. Nem ela imaginava o que se  estava a passar. 

Não estavamos a rir só para a foto, não. Não estavamos a disfarçar. Estavamos a rir porque estavamos juntos e porque naquele preciso momento estavamos felizes por isso.


quinta-feira, 18 de abril de 2013

O DIA EM QUE FUI APRESENTADA A MIM PRÓPRIA

Dói-me que este momento seja infinitamente perfeito.

Há momentos que doem. E também são perfeitos. Tão perfeitos como os que riem.

Gostar dos dois. Aceitar os dois. Saber que é tão importante um como o outro. Vendo bem, talvez esteja mais grata à dor do que à alegria. Se não fosse ela não estava aqui. Mas vendo melhor, se não fosse a alegria talvez também não estivesse aqui. Talvez não tivesse aguentado. Sou de limites, de extremos. Quer dizer, era. Agora nem tanto. De tanta dor ao limite, e de tanta alegria ao limite, fui-me aproximando do meio. A dor já não dói tanto. Já não precisa. Entrego-me mais depressa, aceito-a mais depressa. Até gosto dela. Lá está. Sei que até a dor é perfeita.

Há dois dias atrás Jesus mostrou-me uma menina. De cabelos escuros. Apanhados em rabo de cavalo e franja. Perguntou-me se eu sabia quem era. Não, não fazia ideia. "És tu. Se morresses agora e voltasses a encarnar, serias assim."

Fiquei incrédula. Mas esta menina é tão diferente de mim!...Tão segura, tão descontraída, tão descomplexada...Eu ainda não me tornei nesta pessoa... "Porque tu ainda não sabes quem verdadeiramente és. Tu não tens ideia de como nós (Povo do Céu) te vemos. Tu vês-te com a memória de tudo o que já viveste. Vês-te com a memória de todos os momentos de insegurança e medo. Não te vês como és agora, sem passado."

"Queres conhecer-te como és agora?"

Fiquei em silêncio. Nem sabia bem o que responder. A pergunta pressupunha que de facto, não me conheço, o que por um lado me entristeceu, e por outro me deixou expectante. Fiquei a aguardar. Até que Jesus me colocou à minha frente. Ao seu lado e à minha frente estava eu própria. Baixei os olhos. Não conseguia olhar. Não sabia se estava a bloquear ou se estava a tentar ficar a zeros. Percebi que estava a tentar ficar a zeros para não me ver com expectativas. Demorei um bom bocado até voltar a olhar. Fui abraçada por mim. Senti que quem me estava a abraçar estava a gostar de mim. Senti-me aceite. Não julgada. E estranhei. E se não tivesse medo de estar a habilitar-me a levar outra vez na cabeça, diria que não era "suposto" sentir-me assim no primeiro abraço.

Percebi que é por isso que as pessoas gostam do meu abraço, porque as faço sentir que gosto delas. E gosto mesmo sem as conhecer. O que visto de fora parece estranho. E porque é que gosto logo delas? Acho que é porque não as julgo. E porque é que não as julgo? Acho que é porque na maior parte da minha vida me senti julgada. E não foi bom. Não foi bom no sentido em que não foi fácil. Porque em última instância, tudo é bom porque nos faz bem.

Voltando. Foi bom o abraço e foi bom sentir que tenho tendência a não julgar as pessoas. Senti-me feliz por também eu estar a gostar logo de mim. Reparei que o facto de eu ser gordinha me fez sentir muito confortável. Como se a pessoa que me estava a abraçar e a gostar de mim me estivesse a mostrar que eu não preciso de ser perfeita porque ela também não é.

Surpresa das surpresas, fomos passear. Fomos à praia de Caxias. À Baía dos Golfinhos. Sentamo-nos na areia a olhar o mar. Olhei para mim. Estava calada. E gostei de me ver calada. Gostei do silêncio. E percebi que eu não precisava de falar para ser compreendida. E assim percebi que realmente, eu compreendo as pessoas sem elas falarem. E por isso as pessoas se sentem à vontade. Sentem que eu as conheço. E conheço. É como se as visse por dentro.

Percebi também que foi por isso que o tal teste psicotécnico que fiz aos 17 anos revelou um grau de sinceridade acima dos 90%. Afinal, se eu não mentia era por defesa. Mais do que por "pureza". Porque na verdade eu achava que se mentisse iam logo perceber. Como eu normalmente percebo quando me mentem. Desde que tenho uma ideia do meu tipo e grau de mediunidade que me surpreendo por nunca ter tido nenhum indício dessa característica ao longo da minha vida, a não ser de há uns dez anos para cá. E só agora, com este encontro comigo mesma, é que tomo consciência que sentir que conhecia as pessoas por dentro, já era uma expressão dessa mediunidade. E agora que estou aqui a escrever, é que estou a pensar que houve algumas situações "dramáticas" em que não se percebia o que é que tinha levado a que aquilo acontecesse, e dentro de mim eu sabia exactamente o que tinha acontecido e porquê. Como se eu conhecesse melhor os outros do que me conhecia a mim mesma. E pelos vistos, era verdade.

"Sabes como todas as tuas experiências te lapidaram e te tornaram ainda mais sensível. Foram-te transformando nesta pessoa. Há dias publicaste uma notícia sobre o Keanu Reeves e percebeste porque é que a energia dele é tão atractiva. Porque ele é uma pessoa profunda, que passou por muita dor. Não seria a pessoa que é se tivesse vivido uma vida superficial."

Por isso eu explico tantas vezes que me sinto grata por cada desafio vivido. Porque me transformaram nesta pessoa de quem eu, finalmente, gosto.

E por estar ali na Baía dos Golfinhos, lembrei-me da última vez que lá estive. Estava muito frio para estar na esplanada, e convidaram-me para escolher uma mesa no interior do restaurante, que já tinha encerrado o horário de almoço.





Atendeu-me a mesma rapariga que tinha atendido da vez anterior. E eu disse-lhe que tinha voltado lá porque tinha gostado muito da tosta mista e da meia de leite que ela me tinha feito.



E ela respondeu que era porque tinha feito com amor. E que mais uma vez ia fazer com amor. E quando ela me estava a servir fiquei com os olhos cheios de lágrimas de gratidão por aquele momento.

Senti-me abençoada por ter sido acolhida por pessoas assim, num lugar lindo que me aqueceu e confortou, cheio de alusões aos golfinhos, desde as paredes ao chão...

E agora ao estar ali, comigo própria, senti eu a gratidão por estar com uma pessoa como eu.


Saímos da praia e fomos caminhar ao longo do passeio marítimo, e eu comecei a rir-me. Ou melhor, a que estava ao meu lado, que era eu, começou a rir-se e a dançar com a música que estavamos a ouvir, e eu ria-me também. E pensava: como é bom estar com uma pessoa que se ri assim.

E concluí, da forma mais sentida que alguma vez concluí, que é muito bom estar comigo. Que eu gostaria de ser como eu. Ou seja, afinal gosto mesmo de ser quem sou.

E por último Jesus disse-me: "Agora não precisas de te sentir amada por outra pessoa. Agora já és o teu amor."

E chorei, chorei, chorei, chorei...Não podia imaginar que isto tivesse um tal impacto em mim. Porque ainda tenho muita dificuldade em me sentir merecedora. Há umas semanas atrás, durante uma terapia que estava a fazer à Lena, ela disse que Jesus lhe estava a mostrar que se senta connosco à mesa ao pequeno-almoço. E que se senta no lugar à minha frente. E eu desatei a chorar copiosamente. E Jesus disse-lhe que eu estava a chorar assim porque ainda tenho dificuldade em me sentir merecedora.

"E hoje sentiste-te tão bem quando chegaste aqui a casa e sentiste a energia tão leve porque foi tudo preparado para te receber."

E eu chorei mais ainda.

Tocou o telefone. Era a Lena, que tem passado a maior parte do tempo a bordo do Harmony, com o Rui, (e se tornou a minha heróina por ter conseguido reduzir para metade o seu tempo de trabalho e passar a outra metade em modo férias) a dizer que além do batido de fruta também me tinha deixado em casa bola de carne.  Agradeci por tantos miminhos. Respondeu que todos os miminhos foram deixados com essa intenção: de serem miminhos.

Fiquei a pensar em merecimento e em mimo.

Liguei o computador e abri a minha caixa de correio - tinha um email do Pedro Quitério a enviar-me um vídeo. Abri o Facebook- tinha uma publicação da Isabel Braga a dedicar-me o mesmo vídeo, a mesma música. Curiosa coincidência...que me encheu ainda com mais mimo. E que me trazia de volta a uma parte de quem eu sou : a que gosta de música, de dançar e de Lisboa.