sexta-feira, 26 de agosto de 2011

E MAIS UMA VEZ ME RENDO




A propósito de ter tirado há dias esta foto com os meus LP's a que chamo vintage, de música que eu adoro, na meditação de hoje, Jesus perguntava-me: Gostavas tanto destes discos...e diz-me se eles te fizeram falta ao longo destes anos...

De facto...de facto não...os discos estiveram encaixotados e realmente a música não faltou. Aliás há cada vez mais acesso a música. E agora podemos ouvir música de graça, na internet, todas as músicas e mais algumas...e podemos ouvi-la de forma ainda mais confortável, em Ipods, etc, toda a música em todo o lado, de todas as formas...

E Jesus mostrou-me como quase todas as minhas coisas têm estado encaixotadas e como tenho vivido sem elas. E vivido bem.

E voltou a mostrar-me de que forma o meu apego às coisas e pessoas está simbolizado no meu mapa natal: Plutão e Urano na casa 2. Apêgo fortíssimo provocado pelo meu grande medo de perder. Próprio de quem tem memórias de já ter perdido muito. E não ter sabido lidar com isso. E por isso ter procurado ao longo da minha vida estabilidade e segurança. Tudo o que eu não tenho. Porque não posso ter. E não posso, porque ao contrário do que julgava, não é disso que preciso. Porque isso não é viver.

E por isso, nesta vida fui perdendo. Perdendo muito. Para tentar, agora, aprender.

Desde que saí do meu apartamento, não sei bem há quantos anos, mas talvez há uns 7 ou 8 anos, tenho quase tudo que era meu, em caixotes. E tenho vivido sem isso tudo. Sem o apartamneto e sem as coisas que lá tinha. E que tanto prazer me tinham dado a comprar. E de que eu achava que gostava tanto. E de que eu achava que precisava tanto.

Lembro-me que num dos primeiros cursos que fiz com a Alexandra termos feito um exercício em que era suposto entrarmos em contacto com a emoção de perder alguma coisa que nos custasse muito a perder. Eu não sabia o que é que me iria custar muito a perder, e decidi imaginar que ia perder a minha casa e tudo o que fazia parte dela. Na altura ainda não fazia ideia que isso ia mesmo acontecer e em breve. E fiquei surpreendidíssima com o que me custou fazer esse exercício...fiquei completamente arrasada por me ter custado tanto...não fazia a mais pequena ideia que estava tão apegada à casa e às coisas.

Quando, tempos mais tarde, tive que fazer isso na vida real, porque tive mesmo que deixar a minha casa, fiquei surpreendíssima, mas ao contrário...porque não me custou nada empacotar as minhas coisas e deixar a minha casa. E percebi que não estaria a reagir assim se não tivesse já feito o exercício. Já não foi um choque porque já tinha vivido a emoção.

Desde aí não tive oportunidade de desempacotar as minhas coisas. Mas fiquei à espera de as poder voltar a usar. E quando fui para Oeiras pensei que ia voltar a decorar com as minhas coisas. Mas não. A casa já tinha tudo. Até os pratos novos me foram oferecidos. E quase nada do que lá está é meu. Realmente não preciso de quase nada do que tinha. E até já tenho vendido umas coisas minhas. E tenho que vender ou dar mais. Desapego. Sempre o desapego.

E com isto de andar entre lá e cá, reduzo as coisas que uso ao mínimo, para não andar com muitas tralhas na viagem. Ou seja, cada vez uso menos coisas e preciso de menos coisas. Até o quarto onde durmo quando venho para casa da minha mãe, não tem quase nada meu.

Afinal, tudo aquilo que tanto me custou imaginar que ia perder, não me faz falta. Só não sabia. Porque aquilo de que precisamos realmente é muito diferente daquilo que nós achamos que precisamos. E uma das minhas grandes lições é a de que a Vida não me vai dar aquilo que quero, mas aquilo que preciso.

E o que preciso é de me sentir como um grão de areia. Solto. Que vai para onde o vento o leva. Neste caso, a Vida.

E até estas férias foram um exemplo disso. Pensava que precisava de mudar de ares, de viajar um pouco que fosse. E afinal quase não saí de casa e nunca viajei tanto...De um plano superior vi cá em baixo tantos lugares onde já vivi noutras vidas...viajei por tantos lugares e por várias dimensões...viajei com a Luz como se fosse o vento...Nenhuma viagem comprada em agência de viagens me podia proporcionar isso...não que essas viagens não sejam importantes, mas não era disso que eu estava a precisar. E a paz que eu encontrei quando viajei ainda mais fundo dentro de mim, mais para lá das dores e medos que me têm atormentado, não a poderia ter encontrado em nenhum local daqueles para onde me tinha apetecido ir para descansar.

Afinal, ir para fora cá dentro, foi o melhor destino de férias. Eu não sabia. Mas o Céu sabe sempre o que é melhor para nós. E não precisei de nada que eu achei que ia precisar.

E mais uma vez me rendo.

E como nada é por acaso...ontem a newsletter recebida do Livro da Luz foi esta:

"TEMPLO

Cada momento que passas contigo, com as tuas coisas, os teus pensamentos,
as tuas perguntas é um tempo sagrado. Tu és um templo. Toda a estrutura mo-
lecular e energética que constitui o teu ser foi feita para ser um templo.

Onde se reza. Onde se ora, onde se medita. Onde se interioriza. Onde se está, e
se respeita esse estar. Onde se chora e onde se ri, mas sobretudo onde se acre-
dita. Onde se acredita que tudo vai dar certo, que todos os esforços que foram
perpetrados em nome da evolução irão dar os seus frutos e que tu ainda vais
ser muito feliz.

Vais ser muito feliz, porque te respeitaste, porque passaste o tempo que era su-
posto passares contigo próprio, afugentando a ilusão e os fantasmas e enca-
rando a dura e difícil realidade de seres quem és com todas as tuas limitações e
desencantos. Mas também porque admitiste que nesse templo há uma dose in-
comensurável de fé e de verdade, e que viver nelas é alcançar o reino dos céus.

(...)"








6 comentários:

Lurdes disse...

Antes de dizer seja o que for... Tenho que te dizer que este texto tocou-me tanto.
Sempre pensei que só conseguiria viver se tivesse as minhas coisas e se estivesse nos meus sítios.
Um dia a vida deu a volta de tal maneira, que hoje não tenho nada do passado. Só recordações. Tantos apegos, tantos, para quê? quando menos esperava a vida tirou-me tudo. E deu-me tanto... que hoje tenho que agradecer a Deus tudo o que me tirou. Nem sequer tenho nada da infância (brinquedos, a casa, etc.)... Excepto as recordações...Gosto de ter coisas, quem não gosta... Como diz a Alexandra tenho-as, mas não dependo delas...
Obrigada por me teres relembrado que o apego é apego... E que na verdade para vivermos com o que vida tem para nós, não precisamos de nada material.
Quando vi os teus Lps lembrei-me dos meus, lembrei-me, ri... e pronto já os tive um dia.
Hoje também tenho o Ipod... não comento astrologicamente, porque não domino...
O templo... o templo é tudo ... o meu templo...
Acho que neste momento só dependo dele... LOL
Um gd abraço e mais uma vez obrigada...
E sabes que mais há uns meses estaria a chorar (e quem sabe até talvez sentisse raiva) Hoje agradeço, tudo o que a vida me tirou... Obrigada...Por me ter dado outras...

Olinda Cristina disse...

Lindo, lindo, lindo, o que tu escreves, Lurdes! E obrigada! Mil beijos e abraço, amiga!

Helena, Rui e Olinda disse...

Sou tua fã!!!! Isso já sabes mas agora cada vez que venho aqui sou ainda mais fã hoje do que ontem.
Não escrevas um livro que não é preciso. Um dia vais perceber que tens OBRIGAÇÂO de o escrever. Tens muita coisa para dizer e acredita lindinha que há muito quem precise do que tens para dizer.
Parabens !!!!

Pedro Quitério disse...

Magnifico texto...
Acho que já disse tudo, não sei mais que dizer, só me ocorre pensar que um dia consiga essa conexão profunda que a Olinda tem......
Mais uma vez digo: a Força está contigo...
Beijinhos

Olinda Cristina disse...

Lena, Rui, sabem que mesmo antes de ler este comentário já estava tão feliz com os vossos mails e sms...tão feliz mesmo...e agora estou muito mais! Isso do livro...acho que vais ter que me fazer terapia sobre isso Lena, porque ainda não encaixa...lol. Muitos abraços apertados meus amigos e obrigada!

Olinda Cristina disse...

Pedro, nem imagina como acho piada a esta expressão que usa... sempre achei tanta piada, desde o filme, e agora o Pedro a usá-la...Obrigada Pedro, muito obrigada e muitos beijinhos. E já agora, espero que até breve. Que mais não seja temos a questão do carrocel...lol.