quarta-feira, 17 de agosto de 2011

DENTRO DE MIM

Ontem estava a chorar...pela enésima vez chorava uma das minhas maiores dores...uma dor da alma...uma falta de um alguem específico...e Jesus, no seu abraço de Luz, perguntou-me: tens ideia de quantas pessoas têm esse alguém na sua vida, têm esse companheiro, e não estão aqui, comigo?

E calei-me...serenei...Sim eu sei. Às vezes até posso parecer ingrata. Mas acho que não sou. Eu sei e agradeço por essa benção que é muito, mas muito, mais do que o melhor que eu pudesse desejar...Está para além do dizível, até...Só que esta dor é tão antiga, tão ancestral, está tão por debaixo da minha pele...

(A propósito daquela pergunta, também sei que não é Ele que nos escolhe, somos nós que O escolhemos)

E Disse-me mais: estás outra vez em contacto com esta dor, há dias ela foi novamente despertada, para te trazer até esta nova fase. Uma fase de ficares ainda mais contigo. E estás agora numa fase de mais recolhimento. E as tuas férias vão ser contigo e connosco.

E a verdade é que desde o principio eu sentia que não era para ir de férias a lado nenhum. E ouvia: "vais para fora cá dentro". E eu cheguei a pensar: parece aquele slogan do turismo...mas eu não tinha intenção nenhuma de ir para o estrangeiro, só para o Algarve. E como Algarve é cá dentro...não estava a perceber. A verdade é que nem para o Algarve fui.

E agora percebi. É para ir mas é para dentro de mim.

E eu sei que só assim é que a dor passa. Há-de passar. Às vezes penso que esta dor já foi tão chorada...mas a verdade é que que ainda não foi toda gasta. O tempo que agora demora a gastar é proporcional ao tempo em fugi dela. Séculos e séculos. Vidas e vidas passadas. Já morri por causa desta dor...E passei vidas a tentar fugir dela e quanto mais fugia mais a atraí-a. Como um jogo do gato e do rato. Mas tentar fugir é uma ilusão. Ela apanha-nos sempre. Porque a vida pode sempre mais do que nós. Por isso agora tenho que mergulhar nela de cabeça. Para passar de uma vez. E para eu mudar. Para largar mais, depender ainda menos dos outros e encher-me mais de mim... E a ajuda que o Céu nos dá também é proporcional. Na verdade, nunca estamos sozinhos porque o Céu está sempre connosco. Sempre. Principalmente quando enfrentamos estes desafios.

E ajudou-me mais uma vez em mais uma meditação para limpar a energia das memórias. Mais uma vida passada. Desta vez uma vida de cigana. Eu sabia que já tinha sido cigana. Há alguns anos uma cigana que entrou com o marido na loja da minha mãe olhou para mim e perguntou: você é um dos nossos, não é?

Limpar energia de memória é fundamental para nos ajudar a compreender o porquê de sermos confrontados com determinadas dores e aprendermos a lidar com elas e a libertarmo-nos delas. Sim, porque cada vez que enfrentamos uma dor ou um medo tornamo-nos pessoas mais livres.

E também percebi que a fase de recolhimento era o que eu já estava a sentir nos últimos dias.

Se isso vai afectar o blog ou não, não faço ideia. Ainda.





6 comentários:

Lurdes disse...

Mais um texto que aparenta tristeza, só aparenta... Essa tristeza há-de vir de dentro para fora. Está quase a ser libertada. Como se dá a volta a essa cigana? Para poder libertá-lá do padrão ao qual se acomodou. Também já fui cigana será??? Vou deixa-lá ficar por aí. Mas se ela interferir no blog da Olinda cris... Ai nao respondo por mim, mas por ela, a minha cigana... Ela é tramada e nunca deixa nada por limpar... Investe ate ao fim... Cuidado no dia que a soltar, a tua vai ficar... Ai nao digo que é uma surpresa, e nao revelo estratégias. Amiga tu és uma fortaleza tao frágil, que com um abanão, de alegria essa tristeza vai cair... Essa cigana como vive em comunidade detesta estar só, porque nunca o esteve e agora a malandreca induz que a solidão é etc etc etc... O estar sózinha etc...
Brinco contigo... Porque as tuas gargalhadas sao fabulosas... Sonoras... A pam-poila testemunha isso... Ah ah ah vou ver o video outra vez... E como é bom estarmos connosco, mas nao sermos o que a memória nos aviva... Apenas limpamos memorias... Vou comprar um aspirador potente... Lol lol lol
Obrigada por este texto...
Bj gd

Lurdes disse...

Olé!!! Viva la vida!!!
http://www.youtube.com/watch?v=PN1OD46xm8I&feature=related
(tinha que publicar um vídeo)...
Beijos

Olinda Cristina disse...

Sabes Lurdes, há momentos e pessoas que nos fazem perceber o quanto voláteis ainda estamos...o quanto ainda precisamos de nos trabalhar...este é um trabalho sem fim...como sempre e como tudo que tem a ver com o nosso processo evolutivo, altamente compensador...Já sou muito diferente do que era. Eu sei. Mas ainda tenho muito para mudar. E a vida não brinca em serviço. Por isso a vida confronta-me com as situações que me ajudam a mudar. Porque se não quero voltar a paasar por elas, tenho mesmo que me mudar. Tu também sabes isto. E tu és uma amiga daquelas especiais. Incondicionais. Obrigada por tudo e abraço muito forte.

Lurdes disse...

Amiga!!! Obrigada por me responderes.
Como sempre, sabes que estou sempre aqui... Só tenho que agradecer lá acima, ter uma amiga como tu... Se não fosse este blogue... Se calhar nada mudaria, não sei mas foi este blogue que me aproximou novamente da minha essência... Foi aqui que me abri e me identifiquei pela primeira vez...(passei de anónima a Lurdes).
O trabalho vai ser sempre até ao fim desta vida e depois...
Um grande abraço

Pedro Quitério disse...

Aqui há dias creio que escrevi que sentia que a Olinda estava em Estado de Graça...
Parece que pressentia algo semelhante com a situação que descreve...
Agora só consigo desejar que passe umas boas férias consigo e com Ele.
E que consiga fazer o trabalho pretendido pelo Céu, ou pelo menos que dê mais um passo.
Um grande beijo e abraço.

Olinda Cristina disse...

Pedro, não sei se imagina o quentinho que sinto cada vez que leio um comentário vosso...É um conforto tão grande.... Hoje muitos se mostraram preocupados comigo pelo que escrevi...e por isso hesitei um dia inteiro sobre se publicava ou não...até perceber que não podia fugir de publicar. É que às vezes receio poder ser mal interpretada...parecer vitimização em vez de fragilização. Mas como explico sempre, tudo faz parte da vida...os momentos bons e estes, mais difíceis, às vezes muito difíceis até. Hoje amigas também me pediram para escrever coisas mais alegres, porque ficam tristes com a minha tristeza, mas eu tenho que ser transparente e mostrar que tudo faz parte da vida como ela é. E não posso escrever nada que não seja sentido e não reflicta tal qual o que se passa. Seja bom ou seja mau. Nós é que julgamos umas coisas boas e outras más. Mas nada é bom nem mau. Tudo é importante para nós e nos faz crescer. Obrigada Pedro pelo seu grande apoio e um abraço também grande e umas boas férias para si e a sua família.