domingo, 11 de setembro de 2011

ÁGUA, MARÉS E FLORENÇA

Há dois dias a Nancy abraçou-me e falou-me na importância de ter uma mulher de água, que era eu, na sua vida...

Estas palavras sensibilizaram-me muito. Somos muito amigas há muito tempo e ambas dizemos com frequência o quanto gostamos uma da outra. Aliás, quando o meu filho adoeceu veio logo a correr de Lisboa ter comigo ao Porto. Isso ficou-me sempre marcado. Mas o abraço de sexta feira foi tão sentido e emotivo que me fechei no meu gabinete a chorar e a aproveitar para meditar. Meditar sobre a minha água.

Que provoca em mim o efeito das marés...ainda por cima porque tenho as minhas Luas nas águas mais profundas...o que por vezes se torna muito cansativo. Há para aí uns 2 meses estava a comentar com a Alexandra como me sentia cansada de sentir tudo tão profundamente, de chorar tanto (ainda me lembro muito bem da primeira vez que a Alexandra viu o meu mapa e me perguntou com ar de espanto, se eu não me afundava com tanta água...)e ela perguntou-me se eu me importaria então de rir menos um bocadinho...de ser um pouco menos feliz...E eu calei-me. Perguntou-me se eu tinha noção do quanto me ria. É verdade, eu rio imenso. Porque choro imenso. E isto faz parte da dualidade da vida. É proporcional.

Ainda ontem no gabinete da Céu, a minha esteticista (há 20 anos) me ri com ela e com a Marta que lá trabalha, durante 2 horas seguidas. E o melhor é que nos estávamos a rir de nós próprias. Parece impossível como é que a falar de ciúmes, e sermos ou não ciumentas, e a contar histórias nossas relacionadas com isso nos rimos perdidamente...mais eu, porque lhes acho muita piada a contar as coisas. Ao ponto de pela primeira vez na vida ficar com dores de estômago de me rir. De barriga sim, de estômago, não. Não me podia rir mais, literalmente. Já não tinha forças e tinha dores. E cheguei a casa e adormeci de exaustão. Tal e qual como me acontece quando choro. Fico tão exausta que tenho que dormir a seguir porque não aguento manter os olhos abertos.

É a tal emotividade. Que faz com seja tudo mais intenso. Inclusivé as memórias. Só há relativamente pouco tempo é que sei a origem de emoções e sentimentos que eram completamente estranhos para mim. E acho que a primeira vez em que eu achei que o que me estava a acontecer era mesmo estranho, foi em Florença, Itália, quando tinha uns 21 ou 22 anos. E agora ao escrever reparo também pela primeira que estava à volta dos 21 anos! Era uma idade kármica e eu nunca tinha relacionado!

Tinha acabado o curso e fui de viagem com primas e tios. Fomos de carro. Passamos Espanha, todo o sul de França, Milão, tudo tranquilo. Chegamos a Florença de tarde. Estacionamos o carro (o que foi uma anedota que contarei noutra altura) e à medida que íamos caminhando em direcção ao centro eu ia sentindo um medo crescente. Só queria ir rápidamente para o hotel. Estava assustadíssima. Ouvia cascos de cavalos a bater no chão e correntes a serem arrastadas...e não havia ali cavalos nem correntes. Sentia como se estivesse na Idade Média. É claro que não contava isto a ninguém, ninguém iria perceber. Nem eu percebia. Só dizia que estava com medo e que não me apetecia andar por ali.

Quando comecei a estudar sobre vidas passadas percebi que o que me tinha acontecido lá foi o despertar de uma memória de vida passada. Em que vivi lá. E só há poucos meses fiz uma regressão a essa vida. E agora é como se tivesse feito as pazes com a cidade. Que achei linda desde a primeira hora, mas ao mesmo tempo igualmente assustadora. Como é que fui lá parar precisamente aos 21 anos? Porque a vida não brinca...Há dias, depois de ter feito mais uma regressão a essa vida, reparei que estava a atender uma rapaz que trazia uma t-shirt com as letras FIRENZE. E sorri. E esta semana, quando uma amiga me estava a perguntar em que sítio é que eu gostaria de viver, eu respondi: Florença. E achei estranho. Como é que de repente até já gostava de lá viver? Acho que a causa do medo deve já deve estar tratada e só ficaram as boas recordações...

O melhor talvez seja lá voltar. Para confirmar. Ora bem.

4 comentários:

Lurdes disse...

Que partilha, novamente a vida vem mostrar, que existe um caminho evolutivo. Dá trabalho, mas é tao compensador. Essa amizade é linda...
As tuas gargalhadas sao tao profundas, que fazem como que um desbloqueio risonho, a quem as escuta.
Parte amiga, vai a Florença... Porque é isso que a vida te está a mostrar, e a propor... Boa viagem.
Bj Gd

Pedro Quitério disse...

Como diz a Lurdes, se sente...(o que eu gostava de sentir a vida assim...) parta para lá.
Curioso o facto de eu ter vindo precisamente de lá a semana passada... É de facto uma cidade linda. Mas o que eu de facto gostei foi de Veneza... das ruas que não são ruas...da ausência de carros, muito bom mesmo. Certamente a Olinda já conhece, como tem água...
Beijinhos

Olinda Cristina disse...

Obrigada, Lurdes! Olha que tu és das que me fazes dar boas gargalhadas! Beijo grande.

Olinda Cristina disse...

Pedro, muito curioso que tenha vindo de lá...é mesmo. Nunca fui a Veneza, Pedro...mas se calhar tem razão...porque conheço a energia...já para lá viajei...Grande abraço, Pedro e continuo à espera de o conhecer pessoalmente!