domingo, 25 de setembro de 2011

ÓPERA DON CARLO, DE VERDI

Ontem atendi uma cantora de ópera. Que me contou uma história que se passou com ela e que se entrelaça com a minha.

Estava a ensaiar pela primeira vez a ópera Don Carlo, de Verdi. E quando se aproximava uma cena específica começou a sentir-se mal. Um aperto no peito, um medo, e uma vontade enorme de chorar. Até que no intervalo correu porta fora e só parou dentro de uma igreja no Rossio. E diz que em 20 anos que canta ópera, nunca lhe tinha acontecido algo assim. Na igreja não parava de chorar e sentiu-se a sair do corpo. Também pela primeira vez. Chorou até se acalmar e sentir um alívio no peito...Mas não percebia o que lhe tinha acontecido. E pelo que descreveu, sentiu praticamente o mesmo que eu senti quando estive aos 22 anos em Florença. Aliás a tal cena específica da peça de ópera, pelo que ela me contou, era igual à que eu acedi quando fiz regressão à vida de Florença.

O que pode significar que ela viveu uma experiência similar à minha. Ou então até era uma das pessoas que estava presente na mesma vida passada de Florença. O que é possível. O que a cena da ópera fez foi despertar a memória. Porque tem contornos semelhantes àquilo que vivenciamos no passado mas que está guardado no nosso inconsciente. Estas situações têm essa função: trazer a memória dessas experiências para o plano consciente. Isto também pode acontecer através do encontro na actualidade com pessoas que estiveram presentes nessas vidas passadas. Por isso temos reacções diferentes às várias pessoas que vamos conhecendo. Por isso temos simpatia imediata com umas e antipatia imediata com outras. Conscientemente não sabemos porquê, mas a verdade é que reconhecemos a energia. E por isso as vivências com elas podem ser tão fáceis ou tão difíceis.

Assim que vi esta cantora, ontem pela primeira vez, senti uma simpatia imediata, e pelos vistos ela também. Ao apresentarmo-nos ela disse com um sorriso muito aberto que era um grande prazer conhecer-me. E eu respondi que era muito bom ser recebida com um sorriso daqueles. Ao longo da consulta percebi porque é que tínhamos simpatizado tanto uma com a outra. Pela forte probabilidade de nos conhecermos de outra vida.


O vídeo que publico aqui com excerto da ópera Don Carlo (não tendo esta cena da peça nada que ver com a cena da memória de vida passada) foi gravado no Alla Scala de Milão, que eu fotografei quando estive em Milão pela primeira vez, por acaso um dia antes de chegar a Florença.

Cada vez mais, o passado a ficar presente.

Estou a reparar que em cima usei a expressão entrelaçar.

E que há uns anos, talvez uns 5 (mas até hei-de procurar o caderno para precisar a data) senti que tinha que começar a escrever. Peguei num caderno A4 e escrevi na primeira página que ia começar a escrever. E que ia escrever usando a técnica que a Clara Pinto Correia usava no seu livro Ponto Pé de Flor, que é a mesma técnica do ponto de bordado pé de flor. Usando esta técnica a narrativa desenvolve-se como um exercício de memórias que avançam e recuam, como explica Luís Almeida Martins, do Jornal de Letras, na contra capa do livro. Não cheguei a escrever mais nenhuma página, para além dessa primeira.

E por acaso há poucos minutos vi a Clara Pinto Correia numa entrevista na televisão.

E nos texto deste blog acabo por aplicar muitas vezes essa técnica. Não sabia é que na escrita ia recuar não só ás memórias desta vida, mas também das vidas passadas...

É tudo muito curioso. Muito curioso mesmo. Como tudo se entrelaça.


5 comentários:

Anónimo disse...

Olinda, não sei porque, mas depois de 2 meses, abri o seu blog e estou lendo vários textos, fiquei com saudades! Você lembra de mim? Sandra, que mora no Brasil,nos encontramos dia 19 de julho numa consulta.Gostaria de conversar mais com você.
Bjs
Sandra

Lurdes disse...

Que texto tão sensível...
Deixo-te aqui uma música, e só te posso dizer, que constroies jardins cheios de flores que vais distribuindo a quem se cruza no teu caminho, no teu blog... Quando ouvi esta musica, foi isso que senti, porque a ouvi a seguir a ler este teu texto tão bonito... E real...
Quantos jardins já nos mostraste...
Quantas pedras me ajudaste a transformá-las em flores... E por isso estou sem palavras... Porque quando tudo o que via, era não ver... Ou melhor sentir... Nem sentia a essência brilhar, tu mostraste sempre o sol, a luz, a cor, que acabei por ver imensos jardins...

http://www.youtube.com/watch?v=ipcE903rL0g&feature=related

(Sou uma fã de ópera... LOL)
Um gd abraço repleto de Amizade

Olinda Cristina disse...

Sandra!!! Claro que lembro...como havia de não lembrar?...Vir aos cursos do Brasil de propósito?? quem não lembraria...e mais que gosto muito de você. Além de que também gostaria de saber novidades suas. Podemos falar através do email, não sei se lho dei, mas em todo o caso aqui está: crismolar@hotmail.com
Fico a aguardar. Beijinho.

Olinda Cristina disse...

Lurdes, uma música do Chico Buarque...maravilha...e quanto ao resto...exageras. Gosto tanto de ti, amiga! Outro grd abraço para ti com toda a minha amizade.

Lurdes disse...

Digo a verdade e pronto sou sempre considerada exagerada...
Paciência... Vou mas é para a Ópera...
Bj gd