sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O OÁSIS E O DESERTO

Hoje liguei a televisão (sim, estou a render-me porque parece que nos estamos a sintonizar, eu e a tv..., por exemplo no Domingo peguei no livro do Miguel Sousa Tavares - No teu Deserto, que a minha Mãe tinha na mesinha de cabeceira, e vim lê-lo para a sala, resolvi ligar a televisão e estava a dar imagens do deserto), mas como estava a dizer, quando hoje a liguei estava a dar no telejornal imagens gravadas aqui na marginal, de manhã, a uma hora em que eu estava na praia.

Estava sentada na areia a olhar a água, a ouvir o som das gaivotas, a sentir o calorzinho do sol, a energizar-me para o dia que estava a começar, e a pensar que a vida é como a água do mar...ora vem...ora vai...maré cheia...maré vaza...

Os últimos dois meses foram tão cheios de momentos difíceis...tantos, tantos, momentos difíceis, alternados com outros tantos bons, alguns tão bons que até era difícil de acreditar...mas não voltou a ser como o mês de Setembro, que foi um verdadeiro oásis, um mês só de felicidade...para dar alento para continuar a atravessar deserto...deserto...o que gostei do livro do MST... fui eu que o ofereci à minha Mãe (que adora o Miguel, dito assim até parece que o conheço, mas por acaso até conheço a ex-mulher, a Cristina, que é da minha idade e de Paredes e costumava ir à loja da minha mãe e foi numa quinta da família dela - um lugar absolutamente ídilico - que praticamente iniciei o namoro com o meu ex-marido) mas estranhamente ainda não o tinha lido. Tão interessante este livro. Tão interessante... A importância do silêncio. A importância de atravessar o deserto. A páginas tantas, diz: "Escrever é usar as palavras que se guardaram: se tu falares de mais, já não escreves, porque não te resta nada para dizer." Ele é mesmo uma pessoa muitíssimo interessante. Uma pessoa que já atravessou muitas vezes o deserto.

Voltamos sempre ao deserto. Para nos fragilizarmos, vulnerabilizarmos. É a forma mais eficaz de nos mantermos conectados. Conexão. Informação. Ainda hoje recebi informação sobre acontecimentos de há uns sete anos. Foi-me explicado como é que o que tinha acontecido há sete anos estava relacionado com o meu momento actual. E se não me fosse mostrado pelo Céu, eu nunca faria a ligação...e no entanto agora percebo nítidamente porque é que determinadas situações tão difíceis tiveram que acontecer...visto de lá de cima fica tudo tão claro, tão nítido, tão compreensível...o que nos leva a aceitar que as situações difíceis de hoje também nos conduzirão a momentos felizes amanhã...

E por falar em livros, quando a minha Mãe estava a fazer o electrocardiograma antes da operação, atendi o telefone dela. Era dos correios a dizer que já tinha chegado o livro que ela tinha encomendado. Dei-lhe o recado. Contou-me que o livro que tinha encomendado era o último de Isabel Allende.

Fiquei a pensar. O livro "A Casa dos Espíritos" dessa autora, foi um dos livros que mais me marcaram e sem dúvida o que me despertou para a espiritualidade. Li-o tantas vezes que desfiz a capa.

Olhei agora para a televisão e está a dar a exposição de fotografias de Frida Khalo que já tinha pensado ir ver amanhã...Está tudo ligado.

E sobre ela, vale mesmo a pena ver este vídeo:

3 comentários:

Lurdes disse...

Que interessante!O Oásis e o deserto...Hum! Estava aqui a pensar no que me sinto mais ultimamente... Se um Oásis se um Deserto? E na verdade, não me sinto nem uma coisa nem outra... E porque é que tinha que sentir? Pois é... Estava a querer incorporar uma personagem! Seria? Bem então deixou de fazer sentido...
Não conheço bem a obra do MST, mas a tua conheço bem... E por falar na tua obra, que é mais que prima, deixou-me na lembrança um episódio, quando trabalhava na Embaixada da R.P. da China (depois conto-te, foi-me oferecido um livro, quase que misteriosamente da Isabel Allende, que teve uma importância enorme para mim... Chamava-se "A filha da fortuna"... E nunca mais esqueci... Nunca... Foi a única obra que li dela... e Preencheu-me a alma de tanto encanto e beleza, quer descritiva, que social, etc... (ficaria horas a escrever sobre este livro). Foi-me oferecido pela primeira mulher Juíza em Portugal... Disse-me: Tem que ler o livro da Isabel Allende... Isto vindo do nada... No dia seguinte tinha uma pessoa à porta da Embaixada com o livro... Como poderia esquecer... Como!!!
A obra da Frida conheço-a bem, sempre gostei muito, principalmente o que me chamou mais a atenção foram as cores e a partir daí, fiquei com o bichinho a roer... Até que vi o filme e gostei imenso... Já o vi há muito tempo...
No teu texto viajei, viajei... Como poderia não conhecer a tua obra? Como?
Ela reanima-me a memória, faz-me ir mais longe... E ás vezes o longe está tão perto...
Amiga obrigada por esta partilha, por este vídeo lindíssimo... Comovente e ao mesmo tempo, uma razão para despertar, de outra forma, para a vida! A banda sonora do filme "Frida" é muito boa...
Um bj gd por tudo.
Lurdes Jóia
( acho que vou ler "A casa dos espíritos"...)LOL

Anónimo disse...

Eu tenho a certeza que vou ler....

Olinda Cristina disse...

Se vão ler, não se vão arrepender. A última vez que o reli já foi há muitos anos mesmo (hei-de ver o ano em que o comprei), e agora até eu fiquei com vontade de o reler porque já não me lembro de quase nada, só da Clara e da Blanca. Também li "A filha da Fortuna" mas fui mais marcada pelo "Paula" que relata a doença, coma e morte da filha dela, por porfíria. Foi um livro que também li mais do que uma vez,e ainda nem imaginava que também eu ia passar meses com o meu filho no hospital.

Obrigada Lurdes, amiga!

E obrigada "Anónimo/a"

Beijinhos!